Após desafio de Lula, campanhas chegam a acordo para quebra de sigilos

22/10/2026 - 16:11
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Após desafio de Lula, campanhas chegam a acordo para quebra de sigilos
Lula e Flávio Bolsonaro ; PoderData - Lula e Flávio Bolsonaro (Isabella Finholdt NurPhoto via AFP / Marina Uezima BRAZIL PHOTO PRESS VIA AFP)

Lula (PT) assinou pessoalmente nesta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), um acordo para a abertura de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Flávio Bolsonaro (PL) aderiu ao compromisso por procuração, por meio de sua advogada Maria Claudia Bucchianeri.

O entendimento foi firmado após o desafio lançado pelo presidente durante o debate da Band e prevê a divulgação simultânea de informações dos dois candidatos, seus familiares e empresas. A medida ainda depende de autorização do ministro André Mendonça, relator do caso.

A disputa começou no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a tornar públicos os dados financeiros e telefônicos de ambos. O adversário inicialmente não aceitou a proposta e, posteriormente, apresentou condições para aderir ao compromisso.

Um dos principais impasses envolveu a Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira e pertencente ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Segundo informações da Polícia Federal citadas pela defesa de Lula, o candidato do PL figurava como “usuário master” de uma conta bancária da companhia, vínculo que teria terminado em maio de 2025.

A campanha petista exigiu que os dados da Alcazar também fossem incluídos no acordo. Segundo o presidente do PT, Edinho Silva, os representantes de Flávio aceitaram a condição após resistência.

O documento prevê a divulgação das informações em uma plataforma pública, com as autorizações a serem apresentadas até as 23h59 desta quinta-feira.

Apesar da assinatura, a campanha de Flávio ainda apresenta ressalvas. Bucchianeri defendeu que a abertura dos sigilos alcance um período superior aos oito anos inicialmente propostos e afirmou que pretende conferir os documentos de Lula antes de apresentar os dados do candidato bolsonarista.

A advogada também pediu registros de entrada e saída dos palácios presidenciais e informações telefônicas de um ex-chefe de gabinete de Lula.

Do lado petista, aliados questionam se Flávio cumprirá o compromisso. O ministro Guilherme Boulos afirmou que a campanha adversária tentou criar obstáculos, enquanto o advogado Marco Aurélio de Carvalho criticou a exigência de apresentação prévia dos dados do presidente.

O acordo abrange familiares dos dois candidatos, incluindo Janja, filhos de Lula, Jair Bolsonaro e outros integrantes da família do senador, além de empresas relacionadas às partes.

A divulgação dos dados depende agora dos procedimentos no TSE. As campanhas solicitaram que Mendonça requisite as informações ao Banco Central, à Receita Federal, às instituições financeiras e às operadoras de telefonia.

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