Qual é o patrimônio de Flávio Bolsonaro?

22/10/2026 - 12:48
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Qual é o patrimônio de Flávio Bolsonaro?
- Flávio Bolsonaro em cabine de votação. Foto: MAURO PIMENTEL-AFP

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 8.186.555,83, valor cerca de 370% maior do que em 2018, quando disputava pela primeira vez uma vaga no Senado.

O aumento é, em valores nominais, de R$ 6,44 milhões. Em 2018, o patrimônio total declarado pelo candidato era de quase R$ 2 milhões: R$ 1.741.758,15, segundo o registro de candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A principal parcela dos bens declarados atualmente corresponde a uma casa no Lago Sul de Brasília, região que concentra imóveis de alto valor. A mansão, sozinha, é avaliada em R$ 6.226.043,80, cerca de 76% de todo o patrimônio informado.

A lista também inclui mais de R$ 1 milhão em fundos de investimento, R$ 568,7 mil em depósitos bancários, R$ 103,7 mil em poupança e participações societárias.

A mansão

Comprada em 2021 por R$ 5,97 milhões da RVA Construções e Incorporações, a mansão de Flávio fica no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, e tem cerca de 1.100 metros quadrados de área construída em terreno de aproximadamente 2.500 metros quadrados. São quatro suítes, academia, piscina e spa com aquecimento solar.

O imóvel seria pago com R$ 3,1 milhões em financiamento do Banco de Brasília (BRB): o contrato previa o pagamento em até 360 parcelas mensais, ou seja, cerca de 30 anos. Em julho de 2024, no entanto, Flávio quitou antecipadamente o financiamento e pagou integralmente o valor restante das parcelas apenas três anos depois da aquisição.

A quitação tão rápida do imóvel chamou a atenção da imprensa. Em 2021, Flávio disse ter vendido outro imóvel no Rio de Janeiro para financiar parte da compra da nova mansão, mas não havia registros da movimentação em cartório.

A mansão é especialmente intrigante porque corresponde a três quartos do patrimônio total declarado, e as condições do empréstimo concedido pelo Banco de Brasília chegaram a ser alvo de apuração do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), já que a renda declarada do senador não era suficiente, à época, para justificar um crédito desse valor. Mesmo hoje, o saldo em poupança declarado pelo candidato no Itaú é de R$ 103.746,23, além de participações societárias equivalentes a R$ 46.000,00.

O segundo maior valor declarado está aplicado em um fundo de investimento em cotas multimercado, de R$ 1.090.520,47, equivalente a cerca de 13,32% do patrimônio total.

À época da compra da mansão, em 2021, Flávio disse, em nota: “Além da atividade parlamentar, sou empresário e advogado. Para a decepção de quem torce contra, todos os recursos, como sempre, são lícitos e fruto do suor de meu trabalho”.

A Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social buscava informações adicionais para verificar se o crédito havia sido concedido em condições compatíveis com as práticas do banco.

Flávio Bolsonaro ocupa uma cadeira no Senado desde fevereiro de 2019, com mandato previsto até 31 de janeiro de 2027. Durante esse período, sua remuneração parlamentar passou por reajustes previstos no Decreto Legislativo nº 172, de 2022.

O subsídio mensal bruto dos membros do Congresso Nacional foi fixado em R$ 41.650,92 a partir de abril de 2023, passou a R$ 44.008,52 em fevereiro de 2024 e chegou a R$ 46.366,19 em fevereiro de 2025.

O carro do escritório

Outro ponto da composição patrimonial do senador é uma Mercedes-Benz, veículo automotor de luxo avaliado em R$ 427,5 mil, mas registrado em nome do escritório de advocacia de Flávio, uma sociedade individual que tem apenas ele próprio como sócio. A firma de Flávio Bolsonaro opera a partir de sua residência, a mansão no Lago Sul, em Brasília, não registra outros advogados ou funcionários contratados e é administrada “a distância”.

Como a Mercedes foi registrada legalmente em nome da sociedade de advocacia de Flávio, não aparece na lista de bens do candidato. Como carro próprio, o registro de 2026 informa apenas um veículo de 2014 avaliado em R$ 133 mil, sem especificar a marca e o modelo.

A sociedade individual

Segundo um levantamento do portal de notícias UOL, o escritório de advocacia do senador, composto por ele mesmo, emitiu notas fiscais que somam pelo menos R$ 13,7 milhões entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que ele exercia o mandato parlamentar. 

Os documentos examinados descreviam, em sua maioria, serviços de “assessoria jurídica”, sem detalhar os processos ou as atividades específicas. A maior parte do valor havia sido paga por outros escritórios de advocacia, e metade das 62 notas emitidas foi direcionada a outros advogados ou bancas de advogados.

Uma dessas transações tem sido especialmente investigada: um repasse de R$ 4 milhões, feito em duas notas de R$ 2 milhões, em 2025, pelo escritório de Edvaldo Nilo, meses antes de Flávio votar a favor da recondução de Nilo ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Atualmente, Nilo cumpre o segundo mandato no órgão, que assumiu em fevereiro de 2024, após indicação pela Câmara dos Deputados. Ele foi eleito para presidir a Comissão de Acompanhamento Legislativo e Jurisprudência (CALJ), setor responsável por monitorar projetos de lei e propostas de emenda à Constituição de interesse do Ministério Público no Congresso Nacional.

O valor de R$ 4 milhões recebido por Flávio antes da recondução de Nilo ao cargo foi repassado pelo escritório Nilo & Almeida Advogados Associados, sob a justificativa de “assessoria jurídica”, mas sem detalhamento das atividades.

Essas movimentações são alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Entre as suspeitas estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas e conexões financeiras com outros investigados, como Willer Tomaz, aliado de Flávio com quem o senador mantinha uma conta bancária.

Conexões com Willer Tomaz

Flávio foi apontado como “usuário master” em uma conta ligada à empresa Alcazar Holdings, de Willer, investigado por transações financeiras bilionárias realizadas com casas de apostas e por suspeitas de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

É dessa mesma empresa o jatinho usado por Willer e Flávio Bolsonaro em uma viagem feita por ambos da Flórida, nos Estados Unidos, ao Brasil, em janeiro de 2025.

Em investigações, a Polícia Federal (PF) também apurou que Willer financiou viagens de férias de Flávio e de sua família para a Europa. Flávio é testemunha em uma disputa judicial travada entre Willer e o jogador de futebol Richarlison pela posse de uma mansão de luxo avaliada em R$ 10 milhões, em Angra dos Reis (RJ).

A Operação Sem Desconto, da PF, que apura fraudes bilionárias contra o INSS, cumpriu mandados de busca em um hangar de aeronaves de Willer Tomaz no Aeroporto de Brasília. No local, os agentes descobriram uma sala secreta blindada, escondida atrás de um painel falso de madeira, onde havia uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro. A defesa do advogado disse que se tratava de uma sala destinada ao “atendimento regular de empresas de transporte de valores”.

A associação entre Flávio Bolsonaro e Tomaz é alvo de investigação em meio ao crescimento patrimonial do senador.

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