Flávio Bolsonaro não abre sigilos e convoca Dallagnol para analisar dados de Lula
Flávio Bolsonaro (PL) voltou atrás na promessa de abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico nesta quinta-feira (22), mesmo depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aceitar as 19 exigências impostas pelo adversário e protocolar os documentos de autorização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em mais uma condição para cumprir o desafio, a campanha do senador afirmou que só apresentará suas próprias autorizações depois de conferir o material entregue pelo petista. Para a tarefa, convocou Deltan Dallagnol (Novo-PR), ex-procurador da Lava Jato que atuou nos processos contra Lula e teve seu mandato de deputado federal cassado pela Justiça Eleitoral.
A nova exigência foi anunciada pela advogada Maria Cláudia Bucchianeri, representante de Flávio, durante a passagem das equipes pelo TSE, em Brasília. Segundo ela, a documentação do candidato já está preparada, mas a entrega dependerá de uma avaliação prévia do cumprimento das condições estabelecidas pelo próprio senador.
“Se a gente confirmar que tudo que ele se comprometeu ele trouxe, será imediato”, afirmou Bucchianeri, segundo o UOL.
A justificativa contrasta com a posição adotada pela campanha de Lula, que compareceu ao tribunal para formalizar a aceitação das exigências. O coordenador da campanha petista, senador Camilo Santana (PT-CE), já havia afirmado na quarta-feira (21) que o presidente não apresentaria objeções aos pedidos de Flávio.
Com isso, a campanha do PL mantém pendente a apresentação das autorizações para abertura dos sigilos do senador, sem estabelecer uma data definitiva. Lula, por sua vez, já formalizou sua disposição de liberar as informações, embora a efetiva divulgação dos dados também esteja condicionada à reciprocidade do adversário.
Dallagnol volta à cena e ameaça Lula
Para analisar os documentos, Flávio recorreu a Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e responsável pela primeira denúncia contra Lula no caso do triplex do Guarujá.
Durante entrevista coletiva na porta do TSE, Dallagnol fez referência direta à prisão do presidente, em uma declaração de tom ameaçador.
“Vou analisar os documentos da mesma forma que eu fiz no passado, e a última vez que eu fiz isso, o Lula foi parar na cadeia”, declarou o ex-procurador.
Dallagnol omitiu, porém, que as condenações de Lula na Lava Jato foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no processo do triplex, uma das ações conduzidas a partir das acusações apresentadas pela força-tarefa.
O ex-procurador também tem seu próprio histórico de problemas com a Justiça Eleitoral. Em maio de 2023, o TSE cassou, por unanimidade, seu registro de candidatura a deputado federal, decisão que levou à perda do mandato. Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná em outubro deste ano, mas a validade de sua nova candidatura ainda está sob análise do tribunal.
Segundo a campanha de Flávio, Dallagnol deverá examinar os registros relativos a Lula e a pessoas próximas ao presidente, entre elas a primeira-dama Janja, o filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Em nota divulgada à imprensa, a equipe do candidato do PL afirmou que o ex-procurador analisará os documentos para identificar possíveis inconsistências e contestar as informações apresentadas pela campanha petista.
Lula aceita exigências, mas Flávio não apresenta autorizações
A disputa em torno dos sigilos começou durante o debate presidencial da Band, no último domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a tornar públicos os dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, de seus familiares e de empresas relacionadas a ambos.
Na terça-feira (20), o presidente encaminhou ao TSE uma autorização para a abertura de seus sigilos e dos de familiares, referentes aos últimos oito anos, condicionada à adoção da mesma medida pelo adversário.
Flávio respondeu na quarta-feira (21) com uma petição contendo 19 exigências adicionais, que incluíam informações sobre o Instituto Lula, empresas ligadas aos filhos do presidente, movimentações financeiras de assessores e registros de despesas da Presidência da República.
Entre os pedidos estavam ainda informações sobre cartões corporativos, a agenda da primeira-dama e o ex-chefe de gabinete Marcola.
A campanha de Lula anunciou que aceitava as condições e marcou para as 11h desta quinta-feira a entrega formal da resposta ao TSE. O presidente também convidou publicamente Flávio a comparecer ao tribunal para cumprir sua parte no acordo.
Apesar disso, a equipe do senador chegou ao tribunal sem apresentar as autorizações prometidas. A nova condição, agora dependente da análise conduzida por Dallagnol, mantém a abertura dos dados de Flávio em suspenso.
O impasse ocorre a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Enquanto Lula já formalizou as autorizações e aceitou as condições do adversário, Flávio mantém a divulgação dos próprios dados condicionada a uma verificação conduzida por um de seus aliados políticos.
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