Flaviogate: mapa reúne 148 conexões e 71 personagens em torno de Flávio Bolsonaro
A três dias do segundo turno da eleição presidencial, um mapa interativo reúne 71 personagens e 148 conexões em torno do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Batizada de Flaviogate, a plataforma organiza casos de corrupção, investigações, denúncias e relações políticas que atravessam mais de duas décadas da trajetória do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
O levantamento cobre o período de 2000 a 2026 e permite explorar visualmente as relações entre os personagens. Segundo a classificação apresentada pelo próprio site, 30 nomes estão na categoria de presos ou condenados, enquanto outros 28 aparecem como investigados ou citados em inquéritos.
Disponível no endereço flaviogate.pagey.site, o mapa apresenta diferentes níveis de conexão com o candidato. A proximidade entre os círculos representa a intensidade das relações segundo os critérios da plataforma, enquanto as cores identificam a situação jurídica atribuída a cada personagem.
Dos 71 nomes catalogados, cinco são classificados como denunciados ou réus, três aparecem com acusações arquivadas e outros cinco não têm acusação formal. Os números são informados pelos responsáveis pelo site e não representam uma auditoria independente de todos os vínculos.
Flaviogate mostra como funciona a rede de conexões
Em vez de apresentar uma relação de escândalos isolados, o Flaviogate utiliza círculos conectados para mostrar como diferentes personagens aparecem em uma rede de relações políticas, profissionais e pessoais.
O tamanho de cada círculo aumenta conforme o número de escândalos associados ao personagem. A disposição dos nomes permite visualizar agrupamentos e identificar pessoas que aparecem próximas umas das outras na rede.
A própria metodologia visual exige uma distinção importante: uma conexão não significa necessariamente participação em um crime. O mapa reúne situações jurídicas diferentes, incluindo pessoas sem acusação formal e casos já arquivados.
O histórico político de Flávio Bolsonaro ajuda a dimensionar a relevância desse tipo de levantamento. Ao longo dos anos, nomes ligados ao antigo gabinete do senador na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e, mais recentemente, a investigações financeiras voltaram repetidamente ao noticiário.
De Fabrício Queiroz ao Banco Master
Um dos episódios mais conhecidos é o caso de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Alerj e personagem central da investigação sobre o suposto esquema de “rachadinhas”, que consistiria na devolução de parte dos salários de funcionários do gabinete.
O caso ganhou repercussão em 2018, após a identificação de movimentações financeiras atípicas na conta do ex-assessor. Queiroz chegou a ser preso preventivamente em 2020, mas foi posteriormente solto. A investigação criminal contra Flávio acabou arquivada após decisões judiciais que anularam provas utilizadas pelo Ministério Público.
A relação entre os dois permanece pública. Em setembro de 2026, Queiroz voltou a pedir votos para o antigo chefe, conforme reportagem da Revista Fórum.
Outro episódio envolve Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope apontado como chefe de milícia no Rio de Janeiro, morto durante uma operação policial em 2020. Flávio concedeu uma homenagem ao ex-policial e empregou sua mãe e sua então esposa no gabinete parlamentar. O senador sustenta que a homenagem ocorreu antes das acusações que associaram Adriano às milícias.
Mais recentemente, o candidato passou a ser formalmente investigado pela Polícia Federal no caso do financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.
Relatórios policiais divulgados em setembro identificaram Flávio como interlocutor direto do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, nas negociações para financiar a produção. Os investigadores apontam reuniões, mensagens e cobranças relacionadas aos pagamentos.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Flávio admite ter negociado recursos para o filme, mas nega irregularidades. A existência da investigação não representa condenação.
Novas denúncias às vésperas do segundo turno
O lançamento e a circulação do Flaviogate ocorrem em meio a novas revelações sobre as relações do senador com o advogado Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal em apurações relacionadas a empresas de apostas.
Tomaz também está no centro de uma disputa pela posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, envolvendo o jogador Richarlison. O atleta acusa o advogado e Flávio Bolsonaro de irregularidades na transferência da posse do imóvel.
O advogado rejeita as acusações e sustenta que a aquisição dos direitos sobre a propriedade foi legítima. Flávio nega envolvimento na disputa e afirma que foi indicado apenas como testemunha.
Esses episódios mostram a importância de distinguir relações comprovadas, suspeitas investigadas e acusações ainda submetidas à Justiça.
A versão consultada do Flaviogate reúne informações atualizadas até 16 de outubro, portanto anteriores aos desdobramentos mais recentes da disputa com Richarlison. O projeto também não substitui a análise individual de documentos judiciais, policiais e empresariais.
O mapa está disponível gratuitamente e permite ao público examinar os agrupamentos e as conexões apresentados pelos responsáveis pela plataforma.
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