Revelando: Meta derruba do Instagram novo episódio em que MC Cabelinho expõe Flavio Bolsonaro
A Meta restringiu no Brasil o acesso à publicação do novo episódio do Revelando no Instagram, apresentado por MC Cabelinho e dedicado a expor a trajetória do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. O bloqueio ocorreu nesta quinta-feira (22), a três dias do segundo turno das eleições, e foi justificado pela empresa com uma norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que limita o uso de inteligência artificial em conteúdos eleitorais.
Ao tentar acessar a publicação original no Instagram, usuários brasileiros se deparam com o aviso: “Este(a) Post não está disponível no Brasil”.
Logo abaixo, a plataforma apresenta a justificativa: “Restringimos temporariamente o acesso a este conteúdo de acordo com as obrigações legais referentes à proibição de conteúdo eleitoral com inteligência artificial (Art. 9-B da Resolução Eleitoral n.º 23.755/2026 do Brasil).”
A mensagem não identifica qual trecho do vídeo teria sido produzido ou manipulado com inteligência artificial, tampouco informa se houve uma determinação judicial ou se a restrição resultou de uma decisão da própria Meta.
MC Cabelinho expõe Flávio Bolsonaro no Revelando
Intitulado “Flavinho de Papai”, o oitavo episódio do Revelando tem MC Cabelinho como protagonista e questiona a trajetória de privilégios do filho mais velho de Jair Bolsonaro. A produção coloca em discussão a vida profissional do senador, que chegou à política depois de ocupar um cargo remunerado na Câmara dos Deputados ainda na juventude.
O contraste com a história do rapper é evidente. Criado nas comunidades do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, no Rio de Janeiro, MC Cabelinho trabalhou como estoquista e montador de persianas antes de alcançar o sucesso na música.
Flávio, por sua vez, já recebia salário da Câmara aos 19 anos. Entre dezembro de 2000 e junho de 2002, ocupou um cargo comissionado que previa expediente em Brasília, embora também estudasse Direito e realizasse estágio no Rio de Janeiro. Em 2002, foi eleito deputado estadual, dando início a uma carreira parlamentar que se estende até hoje.
O episódio pode ser assistido no canal do Revelando no YouTube.
Meta usa regra do TSE para justificar bloqueio
A restrição foi atribuída pela Meta ao artigo 9º-B da Resolução nº 23.610/2019, alterada pela Resolução nº 23.755/2026 do TSE.
A norma proíbe, no período que compreende as 72 horas anteriores e as 24 horas posteriores ao término da votação, a publicação de novos conteúdos sintéticos produzidos ou alterados por inteligência artificial que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidatos ou pessoas públicas, mesmo quando identificados como artificiais.
O texto, disponível no site oficial do TSE, estabelece a retirada de conteúdos que descumpram essas exigências, inclusive por iniciativa das plataformas.
Entretanto, o aviso apresentado pelo Instagram não demonstra que o episódio com MC Cabelinho tenha infringido a norma. Para determinar se o bloqueio foi correto, seria necessário identificar o conteúdo sintético apontado pela empresa e verificar seu enquadramento nas restrições eleitorais.
Revelando já teve perfil derrubado pela Meta
Esta não é a primeira vez que o projeto enfrenta uma restrição da empresa de Mark Zuckerberg.
Em 23 de setembro, a Meta chegou a retirar do Instagram o perfil do Revelando depois da divulgação de uma reportagem apresentada por Fábio Porchat sobre conexões entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens políticos, incluindo Flávio Bolsonaro.
Após a repercussão, a plataforma restaurou a conta, reconheceu que a remoção havia sido um erro e pediu desculpas.
O Revelando voltou a abordar o candidato do PL na terça-feira (20), quando divulgou o episódio “República dos Laranjas”, também apresentado por Porchat, com informações sobre empresas, operações financeiras e ligações do senador com personagens investigados no escândalo do Banco Master.
Agora, com o bloqueio de “Flavinho de Papai”, a Meta volta a restringir uma publicação do mesmo projeto. Desta vez, a justificativa é uma regra eleitoral sobre inteligência artificial, mas a empresa não apresentou, no aviso exibido aos usuários, o elemento concreto que teria motivado sua aplicação ao vídeo de MC Cabelinho.
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