Deputado e blogueira bolsonaristas são investigados por ataque na Universidade Federal de Roraima
A Polícia Federal investiga o deputado estadual Marcinho Belota (PL) e a blogueira bolsonarista Athally Albuquerque (Republicanos) após a dupla participar da destruição de panfletos contra Flávio Bolsonaro (PL) dentro da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. O episódio ocorreu em 16 de outubro, foi registrado em vídeo por estudantes e levou a instituição a denunciar invasão e depredação.
Segundo informações divulgadas pela midia local, a PF confirmou que investiga o caso. O Ministério Público Federal (MPF) também recebeu uma representação dos estudantes de Direito, que acusam os dois de destruir materiais produzidos e financiados pelos próprios universitários.
As imagens mostram Athally rasgando os panfletos e jogando os papéis no lixo, enquanto o deputado participa da abordagem aos alunos. Os materiais apresentavam críticas ao candidato do PL sobre direitos trabalhistas, Previdência e outros temas da campanha presidencial.
Ataque na Universidade Federal de Roraima é repudiado pela reitoria
Antes de entrar no Centro Acadêmico de Direito, os bolsonaristas procuraram a administração da universidade para questionar os materiais. A dupla alegou que os panfletos continham informações falsas e configuravam propaganda eleitoral irregular.
Os estudantes afirmam que a retirada havia sido negada porque a universidade considerou a divulgação compatível com a legislação eleitoral. Mesmo assim, os materiais foram destruídos.
Em nota oficial publicada em 17 de outubro, a UFRR repudiou o episódio e classificou a ação como invasão e depredação. A instituição anunciou providências administrativas e judiciais para apurar os fatos.
O reitor Geraldo Ticianelli também negou ter autorizado a intervenção. À Folha BV, afirmou que sequer estava no campus naquele momento, pois cumpria uma agenda institucional em uma comunidade indígena.
Athally sustenta que a dupla havia recebido autorização do setor jurídico da instituição para verificar denúncias. Ela negou ameaças ou intimidação contra os universitários.
Blogueira teve apoio de Nikolas Ferreira
Athally Albuquerque, de 27 anos, é empresária, influenciadora de direita e ex-candidata a deputada federal pelo Republicanos. Na eleição de 2026, recebeu 11.056 votos e ficou como segunda suplente do partido.
Durante a campanha, contou com o apoio do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), um dos principais nomes da extrema direita nas redes sociais.
Já Marcinho Belota, nome político de Márcio Agra Belota, exerce seu primeiro mandato como deputado estadual. Eleito em 2022, foi reeleito em outubro de 2026 pelo PL, com 11.441 votos, a maior votação para a Assembleia Legislativa de Roraima.
Deputado já havia sido alvo da Polícia Federal
Belota também aparece em outra investigação da PF, sem relação direta com o episódio na universidade.
Em 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, policiais federais cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência do parlamentar durante a Operação Gubbio, que apura suspeitas de compra de votos em Roraima.
A investigação teve início após a prisão em flagrante de 22 pessoas suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção eleitoral. Conforme noticiado pelo Metrópoles, os agentes apreenderam um notebook, documentos e aproximadamente R$ 6 mil em dinheiro na casa do deputado.
Belota negou irregularidades e afirmou que o dinheiro tinha origem lícita. A investigação sobre compra de votos é independente daquela que apura o ataque na universidade.
Estudantes denunciam intimidação
O Centro Acadêmico de Direito afirma que os envolvidos também tentaram retirar uma bandeira antifascista do prédio, mas foram impedidos pela coordenação do curso.
Na representação encaminhada ao MPF, os estudantes apontam possíveis crimes previstos nos artigos 331 e 332 do Código Eleitoral, relacionados à destruição e ao impedimento de propaganda eleitoral regularmente realizada. Caberá às autoridades definir se os fatos se enquadram nesses dispositivos.
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu, no julgamento da ADPF 548, a proteção à livre manifestação de ideias nas universidades, inclusive durante períodos eleitorais.
O episódio ocorre em meio a uma mobilização nacional de universitários contra o candidato bolsonarista. A Fórum já mostrou como estudantes de diferentes universidades passaram a organizar manifestações contra Flávio Bolsonaro após o primeiro turno.
No dia seguinte à destruição dos panfletos, outro grupo entrou nas dependências da UFRR, retirou cartazes e interrompeu atividades acadêmicas. Esse segundo episódio é investigado separadamente pela Polícia Civil.
Diante dos ataques, a reitoria solicitou reforço de segurança à PF, à Polícia Rodoviária Federal e à Força Nacional durante a semana do segundo turno das eleições.
Em nota, Belota afirmou que procurou a universidade após receber denúncias de irregularidades eleitorais e intimidação contra estudantes de direita. Declarou ainda que recebe a investigação com tranquilidade e confia nas instituições. Athally também negou ter cometido atos de violência e defendeu a apuração das denúncias que motivaram sua ida ao campus.
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