PF investiga deputado do PL por invasão e destruição de materiais em universidade

21/10/2026 - 18:20
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PF investiga deputado do PL por invasão e destruição de materiais em universidade
- Foto: Departamento de Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal (PF) investiga o deputado estadual Marcinho Belota (PL) e a blogueira e ex-candidata a deputada federal Athally Albuquerque (Republicanos) por invadirem o bloco de Direito da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista, e destruírem panfletos contra Flávio Bolsonaro (PL) produzidos por estudantes na última sexta-feira (16). 

A ação foi gravada em vídeo pelos próprios alunos, que afirmam ter sofrido provocações para gerar confronto físico. O Ministério Público Federal (MPF) confirmou que recebeu denúncia sobre o caso, e a UFRR repudiou os atos e acionou medidas legais e judiciais contra os envolvidos.

As versões dos envolvidos e a posição da UFRR

Belota e Albuquerque alegaram que os panfletos continham “fake news” e que a propaganda eleitoral dos estudantes era irregular, por citar o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O deputado afirmou que buscou a reitoria antes de ir ao bloco de Direito, declarando ter “entrado em contato com o reitor e, por sua orientação, procurado o setor jurídico da UFRR”. Athally Albuquerque sustentou que a ação foi pacífica e que o grupo “foi informado de que poderia acessar as dependências universitárias para verificar as denúncias”.

A versão dos dois, porém, contrasta com o que apurou a Coluna Mirelle Pinheiro, do Metrópoles: segundo denúncias recebidas pelo MPF, o reitor analisou os panfletos e afirmou que o material estava dentro dos limites permitidos pela legislação eleitoral. Mesmo após essa manifestação, e sem qualquer determinação da Justiça Eleitoral, Belota e Albuquerque foram ao bloco de Direito e destruíram os materiais.

Em nota, a UFRR afirma que “nenhuma pessoa ou grupo está autorizado a substituir o debate democrático pela invasão, pela força, pela intimidação ou pela destruição.” 

Outras invasões

Os episódios não se limitaram ao dia 16. No dia seguinte, 17 de outubro, um segundo grupo invadiu o Centro de Ciências Humanas (CCH) da UFRR. Diante das duas ocorrências, a reitoria solicitou reforço de segurança no campus Paricarana, pedindo apoio da PF, da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional.

A Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR) informou que ainda não recebeu denúncia formal sobre a conduta do deputado e que, se acionada, avaliará se o comportamento de Belota configura quebra de decoro parlamentar, ressaltando que não antecipará julgamentos.

O deputado acumula outros problemas com a lei. Segundo apuração do Metrópoles, um advogado registrou boletim de ocorrência contra Belota após uma discussão ocorrida na UFRR no mesmo dia da destruição dos panfletos. De acordo com o relato, o parlamentar publicou nas redes sociais um vídeo com efeitos visuais e sonoros para ridicularizar o cabelo black power do advogado, que é negro. 

Ainda conforme o Metrópoles, Belota já era alvo da PF antes do episódio na UFRR: em 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno das eleições de 2026, o deputado teve sua residência alvo de operação como desdobramento de investigação sobre esquema de compra de votos. Na ocasião, foram apreendidos um notebook, documentos e cerca de R$ 6 mil em espécie.

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