Advogado assassinado em frente à OAB-RJ atuava no caso da mansão de Richarlison

22/10/2026 - 08:18
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Advogado assassinado em frente à OAB-RJ atuava no caso da mansão de Richarlison
- O advogado Rodrigo Marinho Crespo/Foto: Divulgação

O advogado Rodrigo Marinho Crespo, assassinado a tiros em fevereiro de 2024 em frente à sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), atuava na defesa de Willer Tomaz, advogado e amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em uma disputa judicial envolvendo uma mansão em Angra dos Reis, na Costa Verde fluminense. O imóvel é reivindicado pelo atacante Richarlison, ex-jogador da seleção brasileira e atualmente no Tottenham, da Inglaterra.

Segundo informações publicadas na época por Guilherme Amado, no portal Metrópoles, Crespo assumiu a defesa de Tomaz após a saída de Luis Felipe Salomão, filho do corregedor nacional de Justiça, que havia atuado no caso.

Procurado pelo Metrópoles, Tomaz afirmou inicialmente que Crespo não era advogado de sua empresa, a WT Administração de Imóveis e Bens. Depois que a reportagem apresentou uma captura de tela com o nome do advogado no processo, ele não respondeu.

Crespo tinha 42 anos e foi morto em 26 de fevereiro de 2024, quando saiu do escritório para lanchar nas proximidades da OAB-RJ. De acordo com testemunhas, um homem encapuzado se aproximou, chamou o advogado pelo nome e disparou inicialmente dois tiros. Em seguida, efetuou pelo menos outros oito disparos contra a vítima.

Após o assassinato, o atirador entrou em um carro branco e fugiu. Além de atuar em disputas imobiliárias, Crespo trabalhava em processos relacionados à recuperação de investimentos em criptomoedas. Em uma dessas ações, conseguiu o bloqueio de contas de pessoas apontadas como envolvidas em esquemas de pirâmide financeira.

Investigação identificou PM

A Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro identificaram a participação de um policial militar no assassinato a partir da análise de dados telemáticos. Renato Franco Lopes, conhecido como Pitbull ou Fantasma, foi preso em agosto de 2026, conforme as informações fornecidas sobre o caso.

Segundo analistas da Delegacia de Homicídios da Capital, o celular do policial, que estava na ativa e era lotado no 15º Batalhão da Polícia Militar, em Duque de Caxias, chegou à Avenida Marechal Câmara, onde ocorreu o crime, às 13h50 do dia 26 de fevereiro de 2024.

O aparelho permaneceu na região até aproximadamente 17h15, horário em que o advogado foi assassinado. Às 18h31, o celular voltou a se conectar a uma antena em Duque de Caxias, na Avenida Governador Leonel de Moura Brizola. Nesse momento, o Gol branco utilizado na fuga já estaria no município da Baixada Fluminense.

Os registros de conexão do aparelho foram utilizados pelos investigadores para reconstituir os deslocamentos relacionados ao crime. A identificação da participação do policial, porém, não esclarece, por si só, todos os detalhes sobre a motivação do assassinato e os demais envolvidos.

Richarlison apresenta documentos sobre mansão em Angra

A disputa imobiliária voltou ao centro do debate nesta quarta-feira (21), quando Richarlison publicou um vídeo em que apresentou documentos para sustentar que adquiriu legalmente uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. O jogador acusou Willer Tomaz de ter se apropriado do imóvel por meio de uma operação que, segundo ele, teria recebido tratamento privilegiado da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) durante o governo Jair Bolsonaro.

De acordo com a denúncia apresentada pelo atacante, os processos relacionados à propriedade tiveram tramitações distintas no órgão federal. Enquanto o grupo ligado a Richarlison teria aguardado quase dez meses sem concluir a regularização, o procedimento referente à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa ligada a Tomaz, foi finalizado em julho de 2022, com a emissão de uma Certidão de Autorização para Transferência (CAT) em modalidade especial.

Richarlison questionou a diferença de tratamento entre os procedimentos e cobrou explicações sobre a atuação da administração pública.

“Eu, como cidadão brasileiro, queria ter esses privilégios, né? Saber como é que faz para ter esses privilégios de a Justiça resolver mais rápido para um do que para outros”, afirmou.

O vídeo foi publicado em resposta a um desafio feito anteriormente por Tomaz. O advogado havia prometido transferir gratuitamente ao jogador os direitos sobre o imóvel caso ele apresentasse documentos anteriores a julho de 2022 que comprovassem sua relação com a propriedade e os pagamentos efetuados.

Ao divulgar os registros, Richarlison afirmou ter atendido à exigência.

“Está aí a prova, seu Willer Tomaz. Você falou que, se eu tivesse a prova que eu comprei a ilha, você ia devolver a ilha, então está aí a prova”, declarou.

A controvérsia envolve, portanto, a titularidade dos direitos sobre o imóvel e os procedimentos adotados para sua regularização. As acusações de favorecimento feitas pelo jogador precisam ser distinguidas dos fatos documentais relativos à tramitação dos pedidos e não representam, por si só, comprovação de irregularidade.

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