PF apura lavagem de dinheiro em empresas de loterias ligadas a amigo de Flávio
A Polícia Federal investiga se o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), utilizou empresas interligadas para dificultar o rastreamento de dinheiro no mercado de apostas do Rio de Janeiro. A suspeita integra um inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apura possível lavagem de dinheiro envolvendo o advogado e o candidato à Presidência. Ambos negam irregularidades.
Os investigadores encontraram indícios de que Willer exerceria controle sobre a Rede Loto, primeira empresa autorizada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) a explorar apostas esportivas.
Outra empresa no centro da apuração é a Pixs/Rio Pag, responsável pelo processamento de pagamentos de apostas vinculadas à autarquia estadual.
A companhia venceu uma licitação em 2023, quando a Loterj era presidida por Hazenclever Lopes Cançado, apontado pela PF como pessoa próxima de Willer.
A relação entre os dois, segundo os investigadores, existia desde pelo menos 2021, antes de Hazenclever assumir a presidência da autarquia.
A PF também identificou vínculos do advogado com o então governador Cláudio Castro e considera a hipótese de que essa rede de contatos tenha facilitado interesses empresariais junto ao governo estadual.
A eventual interferência nos processos de contratação, porém, ainda precisa ser esclarecida.
Durante a análise de documentos bancários, os policiais localizaram transferências de aproximadamente R$ 500 mil, R$ 5 milhões, R$ 6 milhões e R$ 13 milhões, destinadas à Rio Pag e a contas do advogado.
Um e-mail enviado pelo Magnum Bank em 2024 também chamou a atenção dos investigadores. Na resposta a um pedido de informações sobre suas participações empresariais, Willer reconheceu vínculos societários com diversas companhias, incluindo a Pixs/Rio Pag.
Para a PF, o conjunto dos registros levanta suspeitas de que o advogado poderia atuar na concentração e redistribuição de recursos entre empresas e diferentes destinatários.
A defesa de Willer nega qualquer estrutura de ocultação. Segundo seus advogados, a participação nas empresas ocorre por meio de sociedades regularmente registradas, e sua atuação direta na Rio Pag era exclusivamente jurídica.
A defesa também afirma que Willer não administrava contas da empresa como pessoa física.
Flávio Bolsonaro nega relações comerciais ou financeiras com o advogado. Sua defesa sustenta que o vínculo entre eles se limita à amizade entre as famílias.
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