Meta é acusada de censurar vídeo de Richarlison sobre ilha ligada a Flávio Bolsonaro

22/10/2026 - 09:37
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Meta é acusada de censurar vídeo de Richarlison sobre ilha ligada a Flávio Bolsonaro
Video de Richarlison - O jogador Richarlison em frente à mansão de Angra, alvo de disputa com Willer Tomaz, e imagens sobre possível crime ambiental (Divulgação Richarlison / Reprodução de vídeo)

O video de Richarlison, jogador da seleção brasileira, que  acusou a Meta de alterar a reprodução de um vídeo em que apresenta documentos sobre a disputa por uma mansão milionária em Angra dos Reis (RJ), envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o atacante, a publicação passou a exibir cinco segundos de tela escura antes do início da gravação, embora o arquivo original comece diretamente com sua fala.

O próprio Richarlison questionou a empresa nos comentários da publicação: “E esses 5 segundos até começar o vídeo, @meta? O original começa direto…”.

A denúncia ganhou repercussão nesta quinta-feira (22), depois que o influenciador Lázaro Rosa publicou uma captura de tela e acusou a Meta de prejudicar o engajamento do vídeo. A gravação mostra o jogador apresentando documentos para contestar a versão de Willer Tomaz sobre a posse do imóvel.

Até o momento, não há comprovação técnica de que a tela escura tenha sido inserida deliberadamente para reduzir a circulação do conteúdo. Também não foi demonstrado que os cinco segundos tenham provocado queda de alcance. A empresa ainda não apresentou uma explicação específica para o episódio nas fontes consultadas.

Veja a denúncia publicada por Lázaro Rosa:

https://x.com/lazarorosa25/status/2112914356891791573

Vídeo de Richarlison expõe disputa com amigo de Flávio Bolsonaro

A reclamação contra a Meta ocorre em meio a uma disputa judicial e política envolvendo uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões no imóvel, adquirido em 2020, e acusa Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz de terem se beneficiado de uma manobra que resultou na perda da posse da propriedade.

Na quarta-feira (21), o jogador divulgou contratos e outros documentos para rebater o advogado, que havia questionado a legitimidade da aquisição. A empresa ligada a Tomaz detém atualmente a posse do imóvel, após uma disputa que chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O caso já havia sido abordado pela Revista Fórum, em reportagem sobre as acusações de Richarlison contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

A tentativa de impedir a divulgação do caso também chegou à Justiça. Em 29 de julho, Willer Tomaz e sua empresa apresentaram uma ação para proibir Richarlison de publicar novos conteúdos que os acusassem de tomar o imóvel.

Em 13 de agosto, a Justiça do Distrito Federal rejeitou o pedido de urgência. O juiz Giordano Resende Costa considerou que a proibição de manifestações futuras poderia configurar censura prévia, vedada pela Constituição.

Tomaz nega ter obtido o imóvel irregularmente e sustenta que adquiriu os direitos de maneira legítima. Flávio Bolsonaro também nega participação na disputa judicial e afirma que foi indicado apenas como testemunha.

Meta já está sob pressão do TSE

O questionamento de Richarlison ocorre em uma semana na qual a Meta já enfrenta cobranças da Justiça Eleitoral sobre o funcionamento de suas plataformas.

O Tribunal Superior Eleitoral determinou que a empresa assegure tratamento igualitário às campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), após denúncias de restrições de alcance, problemas no impulsionamento de publicações e diferenças no comportamento de ferramentas de inteligência artificial.

Na terça-feira (20), o ministro Marco Aurélio Bellizze reuniu representantes da empresa e das duas campanhas para discutir o cumprimento das determinações. A reunião foi confirmada oficialmente pelo TSE.

A Meta reconheceu problemas técnicos anteriores, mas negou interferência deliberada no processo eleitoral. Em comunicado, a companhia afirmou que as falhas atingiram diferentes países e usuários, sem direcionamento político.

No episódio envolvendo Richarlison, permanece sem esclarecimento por que a reprodução apresentou cinco segundos de tela escura que, segundo o jogador, não existem no vídeo original.

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