Salário mínimo acima da inflação: o que dizem os reajustes de cada governo
A política de reajuste do salário mínimo adotada nos governos de Jair Bolsonaro (2019–2022) e Luiz Inácio Lula da Silva (2023–2026) apresenta diferenças importantes em relação à valorização do poder de compra dos trabalhadores. Enquanto, durante a gestão Bolsonaro, os aumentos ficaram restritos, em geral, à reposição da inflação, sem ganho real acumulado, o governo Lula retomou a Política de Valorização do Salário Mínimo, que prevê reajustes acima da inflação.
Durante o governo Bolsonaro, houve o fim da regra de valorização baseada no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, os reajustes passaram a se limitar à reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), resultando em estagnação ou ligeira perda do poder de compra ao longo do período.
Em 2019, o salário mínimo passou a ser de R$ 998,00, com reajuste de 4,61%, considerado o último ano com algum ganho real residual. Em 2020, o valor foi inicialmente fixado em R$ 1.039,00, em janeiro, e ajustado para R$ 1.045,00 em fevereiro, por meio da Lei nº 14.013/2020. Os reajustes naquele ano ficaram entre aproximadamente 4,11% e 4,7%.
Em 2021, o salário mínimo chegou a R$ 1.100,00, com reajuste de 5,26%. Já em 2022, o valor passou para R$ 1.212,00, representando um aumento de 10,18%, mas sem ganho real. No fim daquele ano, foi assinado o valor de R$ 1.302,00 para vigorar a partir de janeiro de 2023.
- 2019: R$ 998,00 (Reajuste de 4,61% — último ano com ganho real residual)
- 2020: R$ 1.039,00 em janeiro (ajustado para R$ 1.045,00 em fevereiro via Lei nº 14.013/2020) (Reajuste de ~4,11% a 4,7%)
- 2021: R$ 1.100,00 (Reajuste de 5,26%)
- 2022: R$ 1.212,00 (Reajuste de 10,18%, sem ganho real) / No apagar das luzes de 2022, foi assinado o valor de R$ 1,302,00 para vigorar em janeiro de 2023.
De acordo com análises publicadas pelo G1 e pelo Brasil de Fato, o salário mínimo durante o governo Bolsonaro registrou 0% de aumento real. As variações anuais ficaram próximas de zero ou ligeiramente abaixo da inflação acumulada, resultando em estagnação ou pequena perda do poder de compra, estimada entre 1,2% e 2% no período total. Assim, embora o valor nominal do salário mínimo tenha aumentado ao longo dos quatro anos, os reajustes não representaram uma valorização real e sustentada dos rendimentos dos trabalhadores.
Retomada da Política de Valorização do Salário Mínimo
A retomada da Política de Valorização do Salário Mínimo ocorreu durante o terceiro governo Lula, iniciado em 2023. A diretriz voltou a vincular os reajustes do salário mínimo à inflação medida pelo INPC, acrescida da taxa de crescimento do PIB de dois anos antes. O objetivo dessa política é garantir a reposição das perdas inflacionárias e incorporar ao reajuste uma parcela do crescimento econômico, permitindo ganhos reais no poder de compra.
Em 2023, o salário mínimo começou o ano em R$ 1.302,00, conforme a Medida Provisória nº 1.143/2022. A partir de 1º de maio, o valor passou para R$ 1.320,00, por meio da Lei nº 14.663/2023, introduzindo o ganho real. A mudança marcou a retomada da política de valorização do salário mínimo durante o governo Lula.
Em 2024, o piso nacional foi reajustado para R$ 1.412,00, um aumento de 6,97%, com ganho real. Em 2025, passou para R$ 1.518,00, representando reajuste de 7,51%, também com ganho real. Já em 2026, o salário mínimo chegou a R$ 1.621,00, com reajuste de 6,79%, oficializado pelo Decreto nº 12.797/2025.
- 2023:
R$ 1.302,00 (a partir de 1º de janeiro, via Medida Provisória nº 1.143/2022)
R$ 1.320,00 (a partir de 1º de maio de 2023, via Lei nº 14.663/2023, introduzindo o ganho real)
- 2024: R$ 1.412,00 (Reajuste de 6,97%, com ganho real)
- 2025: R$ 1.518,00 (Reajuste de 7,51%, com ganho real)
- 2026: R$ 1.621,00 (Reajuste de 6,79%, com ganho real)
A comparação entre os dois governos evidencia, portanto, uma diferença na política de reajustes. Durante a gestão Bolsonaro, os aumentos nominais não se traduziram em ganho real acumulado, com a política de valorização vinculada ao crescimento do PIB interrompida. No governo Lula, a retomada da regra que combina inflação e crescimento econômico restabeleceu o mecanismo de reajustes acima da inflação, com o objetivo de ampliar o poder de compra dos trabalhadores.
A Política de Valorização do Salário Mínimo busca fazer com que os trabalhadores não apenas mantenham seu poder aquisitivo diante da alta dos preços, mas também participem dos ganhos decorrentes do crescimento da economia. Dessa forma, a principal diferença entre as políticas adotadas nos dois períodos está na incorporação, ou não, de ganhos reais aos reajustes do salário mínimo.
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