Europeus que moram no Brasil apoiam Lula em nome da democracia e da justiça social

22/10/2026 - 10:40
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Europeus que moram no Brasil apoiam Lula em nome da democracia e da justiça social
- Os alemães July Ackermann e Paul Wellans; o francês Hugo Kloeckner; e o sueco Lasse Johansson apoiam Lula. (Arquivo pessoal)

Mesmo sem poder votar, europeus que moram no Brasil apoiam a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fazem questão de participar da sua campanha, em nome da democracia, da justiça social e da proteção do meio ambiente e dos povos originários.

O francês Hugo Kloeckner, que é assessor de cooperação entre a Guiana Francesa e a Amazônia brasileira, mora há quase 10 anos no Brasil, sendo os últimos 6 em Belém (PA). “Para mim, é muito claro: o que está em jogo é a democracia e a possibilidade de convivermos todos juntos. Votar no Lula é votar na democracia”, afirma à Fórum.

francês Hugo Kloeckner (Augusto Pinheiro / Fórum)

Kloeckner, que é parisiense e também trabalha como intérprete, diz que ama o Brasil. “A cada dia, me sinto mais brasileiro, especialmente neste momento. Continuo sendo um privilegiado, que sempre pode voltar para a França. Não sou daqui, e há muita coisa que só quem nasceu e cresceu aqui consegue decifrar. Mas esta já é a terceira eleição que vivo no Brasil e entendo muito bem o que acontecerá se a democracia não vingar. E, em breve, pretendo entrar com pedido de cidadania para poder votar nas próximas eleições.”

O francês considera importante “ressaltar que a frustração de grande parte da população com suas perspectivas de vida é muito legítima”.

“É exatamente por isso que acredito que eleger Lula é a melhor opção: é a garantia de que vamos continuar em um regime em que se pode discordar do poder e cobrar mudanças. Para quem ainda está em dúvida, é também a garantia de que, em 2030, teremos eleições imparciais e menos polarizadas, com novos nomes e novas propostas.”

Os alemães July Ackermann e Paul Wellans, que são estagiários no FAOR (Fórum da Amazônia Oriental), que trabalha com povos indígenas e justiça climática, em Belém (PA), participaram de manifestações a favor da reeleição de Lula na capital paraense.

“O Lula fez muitas coisas boas pelo país e pelo seu povo. Ele avançou com políticas que realmente fazem a diferença e ajudam na vida diária das pessoas. O Brasil virou um país mais justo por causa dele. Não estou dizendo que tudo está ótimo ou que o Brasil já tenha superado a injustiça social – a Alemanha também não a superou, assim como nenhum outro país do mundo, pelo que eu saiba. Mas isso tem muito a ver com a história e o sistema capitalista global e pouco com o Lula. Durante seus mandatos, a situação de muitos brasileiros e brasileiras melhorou”, analisa July, que é formada em relações internacionais e história e mestranda em estudos globais.

Os alemães July Ackermann e Paul Wellans (Augusto Pinheiro / Fórum)

Para ela, o bolsonarismo e a extrema direita têm um projeto de destruição para o Brasil. “Flávio detém todo o poder no Congresso Nacional para implementar projetos de lei que contribuirão para a destruição da floresta e dos rios da Amazônia e que colocarão ainda mais em risco a vida dos povos indígenas e tradicionais, projetos que avançarão na privatização de empresas estatais e em cortes nos programas sociais e de saúde. Acho muito perigoso mesmo”, afirma a alemã, que, antes de morar na capital paraense, passou oito meses em Salvador (BA) como aluna da UFBA (Universidade Federal da Bahia).

E continua.

“Tenho medo pelos meus amigos e amigas, por todos os brasileiros e brasileiras, pela natureza e por todo esse país que eu amo. O fascismo nem sempre chega ao poder por meio de um golpe de estado”.

July diz acreditar muito na solidariedade internacional. “Precisamos ser solidários uns com os outros, além das fronteiras. Os nossos problemas já são globais, então as nossas solidariedade e empatia também precisam ser.”

Risco de privação de direitos

O seu colega Paul Wellans, que é formado em ciências sociais e mestrando em estudos globais, diz que “Lula é, claramente, o melhor candidato”. “Na verdade, eu acredito na autogestão entre pessoas bem-intencionadas e gostaria que a convivência humana pudesse existir sem governos. Mas, até que isso seja possível de forma sistêmica e concreta, considero importante apoiar as pessoas que trabalham para que todos tenham acesso à educação, à saúde e ao abastecimento alimentar”, afirma o alemão, que está há apenas um mês no Brasil e já se comunica em português.

Sobre a extrema direita representada por Flávio Bolsonaro, Wellans opina: “É importante não dar poder às pessoas que tentam garantir esse acesso a uma minúscula parcela da sociedade, em sua maioria homens brancos. E que, ao mesmo tempo, vendem a ilusão a muitas pessoas de que elas fazem parte dos beneficiados, para que se aliem a elas e aceitem, ou até mesmo celebrem, a exclusão e a privação de direitos de tantas outras pessoas”.

O cientista social cita a filósofa judia alemã Hannah Arendt. “Ela fugiu da Alemanha durante o nazismo e não se cansava de enfatizar, em seus tratados sobre o totalitarismo, que, mais cedo ou mais tarde, até mesmo os perpetradores se tornariam vítimas da máquina de extermínio do regime totalitário.”

E completa.

“Não quero dizer com isso que o totalitarismo venha a prevalecer diretamente aqui, mas, na minha percepção, essa escolha [Flávio Bolsonaro] poderia ser um passo decisivo nessa direção”.

O alemão avalia que as políticas de Flávio Bolsonaro “causarão muito sofrimento às pessoas mais vulneráveis, como já se viu com seu pai durante a pandemia ou em suas práticas criminosas na Amazônia”.

Para Wellans, participar da campanha de Lula à reeleição também “é uma ótima oportunidade para aprender mais e, ao mesmo tempo, retribuir de alguma forma”. “Por um lado, isso me permite aprender muito sobre os conflitos políticos neste país, os elementos que unem e os que dividem, os traumas sociais e as relações de poder. Por outro lado, também aprendo muito com as pessoas que dedicam tanto tempo e energia para se unir e se organizar. Sou muito grato por isso!”, afirma.

Fazendo o L diretamente da Suécia

Mesmo europeus que não moram no Brasil apoiam Lula em nome da democracia, da justiça social e do meio ambiente. É o caso do consultor de energias renováveis sueco Lasse Johansson, que mora em Gotemburgo, segunda maior cidade do país escandinavo.

“Há muitos anos me interesso pelo Brasil por vários motivos, como a natureza e a Amazônia, que é uma peça-chave para o clima e a ecologia de todo o planeta. E, segundo reportagens nos meios suecos, a destruição do meio ambiente diminuiu muito desde o fim da era Bolsonaro”, afirma.

O sueco Lasse Johansson (Arquivo pessoal)

Segundo ele, a vitória de Lula é fundamental não apenas para o Brasil, mas também para a Europa. “É muito importante para o meu país e meu continente. A Europa depende de ter aliados democráticos para sobreviver em um mundo cada vez mais influenciado pelos poderes antidemocráticos e oligárquicos.”

Johansson conta que as eleições brasileiras são tema constante nos veículos de comunicação suecos. “Recentemente, foi notícia a interferência dos Estados Unidos e de Trump, por meio de empresas como a Meta, e também as intenções estadunidenses de excluir o intercâmbio diplomático entre Brasil e EUA.”

O sueco finaliza dizendo que espera que o Brasil não escolha “o caminho da destruição [Flávio Bolsonaro]”. “Que vença Lula, que representa os valores da igualdade, da fraternidade e da liberdade.”

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