Flávio Bolsonaro orienta “tropa” a ficar nos locais de votação até fechamento das urnas; há temor de confusão

23/10/2026 - 17:45
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Flávio Bolsonaro orienta “tropa” a ficar nos locais de votação até fechamento das urnas; há temor de confusão
- Flávio Bolsonaro em campanha - Foto: Miguel Schincariol/AFP

Em decorrência direta das novas orientações emitidas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), autoridades eleitorais e forças de segurança acenderam o sinal de alerta para o risco de aglomerações e incidentes nas seções eleitorais durante o segundo turno do pleito em todo o país. A apreensão decorre de diretrizes distribuídas aos militantes de extrema direita por meio do aplicativo WhatsApp, nas quais o comando da candidatura do PL convoca abertamente seus apoiadores a permanecerem nos locais de votação até o encerramento definitivo dos trabalhos e o recolhimento dos equipamentos. O receio de analistas e órgãos de fiscalização é de que a execução dessas ordens resulte em episódios de fricção e prejuízos à dinâmica de apuração em todo o Brasil.

A mobilização tem como epicentro a comunidade digital “Tropa do Flávio”, espaço de transmissão do aplicativo de mensagens que concentra aproximadamente 2 milhões de simpatizantes. No comunicado distribuído aos integrantes, solicita-se a atuação direta como “fiscalização paralela”, instruindo os eleitores a acompanharem o recolhimento das urnas eletrônicas e a impressão dos respectivos Boletins de Urna (BU). A conduta, contudo, é vista com apreensão por especialistas em direito eleitoral, uma vez que a concentração de militância nas imediações e no interior das seções pode intimidar eleitores, sobrecarregar o trabalho dos mesários e comprometer a logística de transporte das mídias para a centralização dos dados.

Desinformação e estratégia de pressão nos pontos de votação

A diretriz para a permanência nos colégios de votação ganhou força após a circulação de conteúdos enganosos no mesmo canal de comunicação. Entre o material veiculado, destaca-se um áudio do deputado federal e senador eleito Gustavo Gayer (PL), no qual são multiplicadas acusações falsas sobre supostas fraudes perpetradas por mesários. As alegações infundadas sustentavam que ausências de eleitores estariam sendo convertidas em sufrágios ilegítimos em prol do candidato adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O discurso de desconfiança serviu de gatilho para a publicação da convocação oficial na rede do candidato do PL, cujo teor conclama a militância para ações específicas no dia da votação. Veja a íntegra do “comunicado”:

“É muito importante que todos da TROPA DO FLÁVIO se engajem ao máximo agora nesse missão

1 – Se cadastre e seja um Fiscal de Urna

2 – Compartilhe esse link nos seus grupo e redes sociais pedindo que as pessoas façam o mesmo

3 – Nesse Domingo fique no local da votação até que as urnas sejam guardadas e o boletim de urna seja impresso e exposto”

Riscos logísticos e clima de instabilidade

A aplicação dessa orientação em larga escala nas dezenas de milhares de zonas eleitorais do país pode inflar a tensão em um momento crucial da apuração. A presença contínua de grupos organizados até o momento em que os equipamentos são lacrados tem o potencial de criar aglomerações desnecessárias, gerar bate-bocas com equipes de mesa e até dificultar o trabalho das autoridades eleitorais.

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