Flávio Bolsonaro gasta R$ 18 milhões para impulsionar posts, 6,7 vezes mais que Lula, que lidera batalha nas redes
O impulsionamento de Flávio Bolsonaro (PL) chegou a R$ 18,025 milhões em despesas declaradas à Justiça Eleitoral, valor 6,7 vezes superior aos R$ 2,69 milhões registrados pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A atualização aparece nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, e revela um crescimento expressivo nos valores destinados à publicidade digital pelo senador.
Os números constam de um painel de acompanhamento da prestação de contas eleitoral, atualizado às 3h desta sexta-feira com informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo os registros reproduzidos pela plataforma, a campanha de Flávio declarou R$ 18.025.000 na categoria “Despesa com Impulsionamento de Conteúdos”, distribuídos em 44 lançamentos. Lula registra R$ 2.690.000, em 22 lançamentos, na última atualização disponível de suas contas, de quinta-feira (22).
Do total declarado por Flávio, R$ 15,55 milhões aparecem destinados à empresa Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., responsável pela comercialização de anúncios nas plataformas da Meta. No caso de Lula, os lançamentos associados à mesma empresa somam R$ 2,59 milhões. A diferença entre os valores declarados ao fornecedor é de aproximadamente seis vezes.
Os valores correspondem às despesas registradas pelas campanhas no sistema eleitoral, que ainda estão sujeitos a atualizações e retificações. Não devem ser confundidos com o dinheiro efetivamente consumido por anúncios exibidos nas redes sociais, apurado pela Biblioteca de Anúncios da Meta.
Impulsionamento de Flávio Bolsonaro cresceu R$ 8,8 milhões
A diferença em relação aos registros anteriores chama a atenção. No levantamento com dados gerados em 21 de outubro, a campanha do senador apresentava R$ 9,2 milhões em impulsionamento. Na atualização disponibilizada nesta sexta-feira, o total passou para R$ 18,025 milhões.
Isso representa um acréscimo líquido de R$ 8,825 milhões nas despesas declaradas entre os dois retratos. Os lançamentos classificados nessa categoria passaram de 26 para 44.
Também houve crescimento no total atribuído ao Facebook, que passou de R$ 7,45 milhões no levantamento anterior para R$ 15,55 milhões na atualização desta sexta-feira.
Já a campanha de Lula manteve R$ 2,69 milhões na mesma categoria em sua atualização disponível de quinta-feira (22).
A diferença entre as candidaturas passou, assim, de R$ 6,51 milhões para R$ 15,335 milhões. O registro de uma despesa, entretanto, não permite determinar isoladamente quando os anúncios foram exibidos nem quantas pessoas foram alcançadas.
Fórum Investiga revelou concentração milionária em setembro
O volume de recursos direcionados ao impulsionamento pela campanha bolsonarista já havia sido objeto de uma investigação do núcleo Fórum Investiga. Em reportagem publicada em 7 de outubro, Plínio Teodoro revelou que Flávio Bolsonaro declarou R$ 8 milhões em impulsionamento entre os dias 24 e 30 de setembro.
Naquele momento, a quantia representava 88,9% de todos os R$ 9 milhões que o candidato havia declarado para impulsionamento ao longo do primeiro turno.
A concentração ocorreu durante a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, quando circularam informações falsas de que Flávio pretendia retirar da santa o título de padroeira do Brasil. O senador negou a intenção e divulgou vídeos para contestar as publicações.
O levantamento da Fórum, realizado a partir das despesas apresentadas à Justiça Eleitoral, identificou que, no dia 30 de setembro, a campanha declarou R$ 4,3 milhões destinados ao impulsionamento. Desse montante, R$ 4 milhões foram pagos diretamente à Meta e outros R$ 300 mil à Joyo Tecnologia Brasil, ligada ao Kwai.
Os registros mostraram ainda despesas de R$ 1 milhão em 24 de setembro, R$ 1,7 milhão em 28 de setembro e outro R$ 1 milhão no dia 29. A coincidência entre os aportes e a crise envolvendo a padroeira foi documentada pela investigação, mas os registros financeiros, isoladamente, não demonstram que a totalidade dos recursos tenha financiado publicações especificamente sobre o episódio.
Com a atualização dos valores, aqueles R$ 8 milhões investigados pela Fórum passam a representar aproximadamente 44,4% dos R$ 18,025 milhões agora declarados pela candidatura.
Último dia de anúncios pagos foi quinta-feira
A atualização das despesas ocorreu justamente após o encerramento do prazo permitido para propaganda eleitoral paga ou impulsionada na internet.
De acordo com o calendário eleitoral estabelecido pelo TSE, quinta-feira (22) foi o último dia em que os anúncios poderiam circular. A proibição passou a valer nesta sexta-feira (23) e permanece até 26 de outubro, mesmo para propaganda contratada anteriormente.
A regra não impede, por si só, publicações orgânicas de candidatos ou apoiadores, que continuam submetidas às demais restrições previstas na legislação eleitoral.
Os dados financeiros ainda são parciais e dependem da conclusão das prestações de contas. A divulgação posterior das despesas definitivas permitirá identificar eventuais ajustes e estabelecer quanto cada campanha efetivamente desembolsou com publicidade digital durante a disputa presidencial.
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