Exército de Lula: Folha e Estadão reconhecem que Nunes Marques e Mendonça usam TSE como “arma de censura”
Parte da aliança midiática que se aglutinou em torno de Flávio Bolsonaro (PL), Folha de S.Paulo e Estadão reconheceram, em editoriais publicados nesta sexta-feira (23), que Kássio Nunes Marques e André Mendonça, bolsonaristas que atuam como presidente e vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estão usando a corte como “arma de censura” contra o Exército de Lula, grupo de WhatsApp criado por André Janones (Rede-MG), que aglutina mais de 8,7 milhões de apoiadores do presidente.
A Folha, em texto intitulado “Kassio e Mendonça enxergam TSE como arma de censura”, afirma que os dois ministros alçados às cortes superiores por Jair Bolsonaro (PL) “fizeram circular minuta de resolução que teria como principal alvo o canal ‘Exército do Lula'”.
“Após a divulgação do plano, Kassio declarou-se contrário a mudanças de última hora nas regras do pleito e atribuiu a autoria do texto a Mendonça. Este, por sua vez, negou que tenha sido iniciativa individual e afirmou que a proposta dependia de deliberação colegiada. Acrescentaram pusilanimidade ao despautério”, diz a Folha, em termo rebuscado para dizer que faltou coragem aos ministro de colocar o plano em prática.
O jornal da família Frias ainda reconhece que Nunes Marques já havia operado em conluio com a campanha de Flávio Bolsonaro, como esta Fórum denuncia desde que o ministro tomou posse no TSE.
“Kassio nem é neófito nesse mister. Neste mesmo mês, ele se dispôs a derrubar o canal de Janones sem que houvesse respaldo suficiente para as irregularidades alegadas. Sua decisão foi revertida pelo relator do caso, mas o dano estava feito, sobretudo para a imagem do TSE”, diz a Folha, que ressalta que a justiça eleitoral “precisa, mais do que nunca, abandonar sua pretensão de tutelar a opinião pública, de modo que os eleitores possam exercer plenamente o direito ao voto livre”.
Tentação em uma escolha muito difícil
Já o Estadão, que em 2018 se notabilizou pelo editorial “Uma escolha muito difícil” sobre a disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, fala em “tentação da censura” pelo TSE contra o Exército de Lula, mas ressalta que “a mera cogitação desse ato autoritário no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já é grave por si só”.
“O presidente da corte, Kassio Nunes Marques, disse ao Estadão ser contrário a “alterações de última hora” das regras eleitorais, de resto ocioso por vedação legal. Mas a tal minuta não foi para a lata do lixo, seu lugar. O gabinete de Mendonça informou que o texto segue em ‘discussão interna’. Não se pode condenar quem desconfie das intenções de Mendonça. O canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), já ultrapassou 8 milhões de inscritos, quatro vezes o tamanho do canal ‘Tropa do Flávio’, criado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Mendonça e Nunes Marques foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro. E não é de agora que suas decisões no TSE favorecem escancaradamente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O próprio ‘Exército do Lula’ chegou a ser suspenso por ordem de Nunes Marques, decisão depois revertida”, diz o texto.
Segundo o jornal, controlado pela família Mesquita sob a tutela da Faria Lima, “caso vingasse o desatino”, em relação à manobra dos ministros, “estaria escancarada a porta para o arbítrio togado”.
“Uma publicação sobre segurança pública, Bolsa Família ou o próprio TSE seria considerada “política”? A resposta ficaria sob o crivo de quem aplica a regra. Não há nada de objetivo ou impessoal nisso. É censura em estado puro”, diz o texto.
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