Carlos e Eduardo Bolsonaro atacam Nikolas e Tarcísio em guerra na campanha de Flávio
As críticas de Carlos e Eduardo Bolsonaro a aliados que reforçaram a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno provocaram desconforto entre pessoas próximas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As manifestações reacenderam divergências internas na direita a três dias da votação, quando o senador tenta reunir forças para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Carlos Bolsonaro publicou uma mensagem nas redes sociais questionando os interesses de políticos que passaram a se empenhar pela candidatura do irmão apenas na segunda etapa da disputa. Embora não tenha citado nomes, a declaração foi interpretada por aliados de Nikolas e Tarcísio como uma crítica aos dois.
“Tudo tem método, assim como só entrar na campanha no segundo turno. Nenhum desses pensa no Brasil, só no que podem ganhar com o movimento”, escreveu Carlos.
Incômodo
A publicação provocou incômodo entre interlocutores dos dois aliados, que consideram a atuação de ambos importante para ampliar o alcance da candidatura de Flávio. Nikolas intensificou a mobilização nas redes sociais e viajou pelo país para participar de eventos e produzir vídeos de campanha. Tarcísio, por sua vez, ampliou a articulação política em São Paulo, principal colégio eleitoral do país.
Eduardo Bolsonaro também contribuiu para a controvérsia ao compartilhar uma publicação do influenciador Kim Paim que questionava a estratégia de concentrar esforços em manifestações festivas e na mobilização de eleitores já alinhados à direita, em vez de buscar apoio entre eleitores de outros campos políticos. O conteúdo também fazia críticas a Nikolas e a outros aliados envolvidos na campanha.
A reação veio nas redes sociais. Rodrigo Constantino acusou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro de prejudicarem a candidatura do irmão ao alimentar disputas internas no momento decisivo da eleição.
“Flávio se descolou dos irmãos e colou no Nikolas, e POR ISSO vai vencer”, escreveu Constantino.
Flávio tenta conter novos desgastes
As declarações contrariam a tentativa da coordenação da campanha de reduzir conflitos públicos na reta final. Depois da repercussão das falas da coordenadora econômica Daniella Marques afirmando que vai cortar o Bolsa Família após dois anos, Flávio orientou auxiliares a evitar manifestações sobre temas sensíveis até domingo (25), dia do segundo turno.
A estratégia busca concentrar a comunicação no próprio candidato e impedir que novas controvérsias desviem a atenção da disputa com Lula. As críticas dos irmãos, porém, voltaram a expor divergências sobre os rumos da campanha e o papel de lideranças que ganharam projeção fora do núcleo familiar do ex-presidente.
Nikolas se tornou um dos principais nomes da mobilização digital de Flávio, com vídeos de grande alcance e ações voltadas também ao eleitorado nordestino, região em que Lula mantém vantagem. O deputado tem participado de agendas com o senador e realizado viagens próprias para ampliar a divulgação da candidatura.
No sábado (24), véspera da votação, os dois devem participar de um ato em Belo Horizonte, batizado de “Bloco do Nikolas”.
Histórico de atritos entre Nikolas e os irmãos
O desconforto atual se soma a desentendimentos anteriores entre Nikolas e os filhos de Jair Bolsonaro. Em abril, Eduardo e o deputado mineiro trocaram acusações nas redes sociais. Na ocasião, Eduardo questionou o empenho de Nikolas na campanha do irmão e o acusou de agir por oportunismo.
Flávio interveio no episódio, classificou o conflito como contraproducente e defendeu a união do grupo político.
Carlos também se desentendeu com Nikolas durante a campanha ao Senado em Santa Catarina. Na véspera do primeiro turno, o deputado mineiro publicou uma lista de candidatos que recomendava aos eleitores, mas não incluiu o nome de Carlos, apesar de ambos integrarem o PL.
Dias depois, Nikolas justificou a ausência afirmando que Carlos o havia acusado de participar de um projeto para prejudicar Jair Bolsonaro. O episódio aprofundou o distanciamento entre os dois.
Brigas com Tarcísio
A relação entre a família Bolsonaro e Tarcísio também foi marcada por desconfianças. Antes de Flávio ser definido como candidato à Presidência, setores da direita defendiam o governador paulista como alternativa para disputar o Palácio do Planalto contra Lula. A possibilidade gerou resistência entre integrantes do núcleo bolsonarista.
Mesmo depois de declarar apoio ao senador, Tarcísio continuou sendo cobrado por uma participação mais intensa na campanha presidencial.
No primeiro turno, tanto o governador quanto Nikolas estavam envolvidos em suas próprias disputas eleitorais. Os dois foram reeleitos: Tarcísio para o governo de São Paulo e Nikolas para a Câmara dos Deputados.
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