Vereadores bolsonaristas atacam professores e estudantes em Camaçari (BA)

24/10/2026 - 09:40
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Vereadores bolsonaristas atacam professores e estudantes em Camaçari (BA)
- Os vereadores Jamessom da Silva (PL), à esquerda, e Maurício Qualidade (União), à direita, envolvidos na confusão. Créditos: divulgação

Uma manifestação que reunia apoiadores do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) provocou tumulto e interrompeu as aulas do Colégio Estadual de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na quinta-feira (22), segundo apuração do jornal A TARDE.

O ato contou com a participação dos vereadores Jamessom (PL) e Maurício Qualidade (União Brasil), que subiram em minitrios elétricos para fazer discursos em frente ao colégio e atacar professores e estudantes que declararam apoio a Lula (PT).

Os vídeos divulgados nas redes sociais mostram Jamessom chamando professores de “vagabundos” e Maurício Qualidade acusando um educador de usar o cargo para fazer campanha política. “Bandido travestido de professor”, disse o vereador.

A confusão também motivou denúncias de agressões físicas cometidas por apoiadores do PL contra estudantes. Uma estudante identificada como Keila afirmou ter sido agredida por uma apoiadora do partido e registrou um boletim de ocorrência.

O episódio repercutiu no Instagram e recebeu uma manifestação de solidariedade do presidente Lula, que escreveu, em comentário na publicação: “Keila, nenhuma estudante pode ser agredida por expressar o que pensa. Minha solidariedade a você, aos colegas e aos professores”.

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Professores relatam ataques nas proximidades de sindicato e escola

O diretor de Comunicação do Sindicato dos Professores da Rede Pública de Camaçari (Sispecs), Max Rangel, relatou ao portal A TARDE que os ataques começaram nas proximidades da sede da entidade e continuaram diante do colégio estadual, conhecido anteriormente como Colégio Modelo.

“Eu registrei os ataques do vereador Jamessom e do vereador Maurício Qualidade. Xingando os professores de vermes, milicianos. Isso passando pela porta do sindicato. Aí eu fiz o registro. E depois eles foram para a porta do Colégio Modelo, que é na mesma avenida”, afirmou Rangel ao A TARDE.

O Grêmio Estudantil Tempos Modernos, do Colégio Estadual de Camaçari, divulgou uma nota de repúdio aos episódios. Segundo a entidade, a comunidade escolar teve sua rotina interrompida pela terceira vez por integrantes do grupo ligado ao vereador Jamessom.

“Por meio de som em volume excessivo e de ataques direcionados aos nossos professores, alunos e à gestão escolar, os integrantes do grupo comprometeram a continuidade das aulas, desrespeitando a comunidade escolar, o momento de preparação para as provas da unidade e todo o planejamento pedagógico desenvolvido pelos professores”, declarou a organização estudantil.

Vereador bolsonarista está envolvido em outras polêmicas

Um dos protagonistas dos episódios de violência verbal relatados pela comunidade escolar, o vereador Jamessom, do partido do candidato à Presidência, já havia se envolvido em outra polêmica no início deste ano: em abril de 2026, ele rasgou publicamente o contracheque de Sara Santiago Carneiro, presidente do Sindicato dos Professores e Professoras da Rede Pública Municipal (Sispec), durante uma sessão tumultuada na Câmara Municipal.

Sara Santiago Carneiro apresentou o próprio contracheque ao vereador durante uma mobilização de professores da rede municipal que cobravam a votação do Projeto de Lei do Executivo nº 1.195/2026. A proposta previa reajustes de 5,4% a 10,36%, conforme o nível e a referência funcional de cada profissional, considerando alterações no Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) e a recomposição salarial vinculada ao piso do magistério.

Ao receber o documento, Jamessom o rasgou e arremessou os pedaços na direção da sindicalista, conforme as imagens divulgadas. O Sispec repudiou a conduta e classificou o episódio como uma agressão à dirigente e à categoria. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) também divulgou uma manifestação de solidariedade a Sara.

O vereador sustentou que o projeto de reajuste apresentava “13 inconsistências técnicas” e precisaria ser corrigido antes da votação. Pressionado, pediu desculpas à professora em plenário, afirmando que havia “interpretado equivocadamente” a fala dela.

A Câmara aprovou o projeto de reajuste no dia seguinte.

 

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