Lula ou Bolsonaro: quem foi melhor para o Nordeste? Compare em 5 dados

23/10/2026 - 22:48
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Lula ou Bolsonaro: quem foi melhor para o Nordeste? Compare em 5 dados
Flávio Bolsonaro e Lula - Flávio Bolsonaro e Lula em debate na Band (NELSON ALMEIDA / AFP)

A renda das famílias, a oferta de educação em tempo integral, as obras de abastecimento de água e o desempenho da economia ajudam a comparar os períodos dos governos Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Nordeste. Os dados oficiais registram mudanças nesses cinco indicadores, embora nem todos os resultados possam ser atribuídos exclusivamente à Presidência da República.

1. Educação: escolas em tempo integral

O percentual de escolas que oferecem educação em tempo integral no Nordeste passou de 23,2% em 2019 para 27,2% em 2022, último ano do governo Bolsonaro. Em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula, o indicador chegou a 33,5%.

Os dados fazem parte do relatório de monitoramento do Plano Nacional de Educação, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com base no Censo Escolar.

A proporção aumentou 4 pontos percentuais entre 2019 e 2022 e outros 6,3 pontos entre 2022 e 2023. O indicador considera escolas com oferta de educação em tempo integral, mas não significa que todos os estudantes dessas unidades estejam matriculados nessa modalidade.

O resultado também depende das políticas das redes estaduais e municipais, que respondem por parte importante da oferta de educação básica.

Fonte: Inep, Relatório do quinto ciclo de monitoramento do Plano Nacional de Educação.

2. Infraestrutura: transposição do São Francisco

A infraestrutura hídrica foi uma das áreas de investimento federal no Nordeste durante o governo Bolsonaro. Em dezembro de 2022, o Ministério do Desenvolvimento Regional informou que a União havia investido mais de R$ 4,7 bilhões, desde 2019, em ações para ampliar a oferta de água no país, sobretudo na região.

O governo Bolsonaro concluiu o Eixo Norte da transposição do Rio São Francisco e entregou o Ramal do Agreste, em Pernambuco, em outubro de 2021. O ramal recebeu R$ 1,6 bilhão em investimentos ao longo da obra, dos quais R$ 1,4 bilhão foi pago desde 2019, segundo o ministério.

No terceiro governo Lula, o Novo PAC passou a reunir projetos de segurança hídrica com previsão de R$ 11,2 bilhões para 71 empreendimentos. Desse total, R$ 9,9 bilhões estavam previstos para o período de 2023 a 2026.

Em 2023, segundo a Casa Civil, o governo federal destinou 40% mais recursos à segurança hídrica do que o montante destinado em 2021 e 2022 somados. O programa inclui obras como o Ramal do Apodi, o Cinturão das Águas do Ceará e a Vertente Litorânea da Paraíba.

Os R$ 11,2 bilhões correspondem a investimentos previstos, não a despesas integralmente executadas. Por isso, o valor não pode ser comparado diretamente aos R$ 4,7 bilhões informados como investimentos realizados entre 2019 e 2022.

Fontes: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e Casa Civil.

3. Renda: avanço de 20,2% em dois anos

O rendimento domiciliar per capita médio do Nordeste cresceu 20,2% entre 2022 e 2024, em valores corrigidos pela inflação, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), baseado na PNAD Contínua, do IBGE.

A região registrou o maior crescimento percentual de renda domiciliar per capita entre as grandes regiões brasileiras nesse intervalo. Pernambuco teve alta de 32,2%, Alagoas de 31,7% e Bahia de 23,5%. No Ceará, o avanço foi de 6,9%.

Apesar da recuperação, o rendimento médio nordestino em 2024 correspondia a aproximadamente 65% da média nacional. A renda também continuava distribuída de maneira desigual entre os estados.

A comparação abrange o último ano do governo Bolsonaro e os dois primeiros anos do terceiro mandato de Lula. O resultado incorpora mudanças no mercado de trabalho e nas transferências sociais, incluindo o Auxílio Brasil em 2022 e a reformulação do Bolsa Família a partir de 2023. Não é possível atribuir todo o crescimento a uma única política pública.

Fonte: FGV Ibre, evolução da renda nos estados do Nordeste entre 2012 e 2024.

4. PIB: Nordeste manteve participação de 13,8%

O Nordeste respondeu por 13,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2022 e manteve a mesma participação em 2023, segundo as Contas Regionais do IBGE.

Os dados indicam estabilidade da participação da região na economia nacional entre o último ano do governo Bolsonaro e o primeiro ano do terceiro mandato de Lula. Isso não significa que o PIB nordestino tenha ficado estagnado: a participação relativa pode permanecer igual mesmo quando a produção cresce.

Para o biênio 2023-2024, uma estimativa elaborada pelo FGV Ibre, a partir das Contas Nacionais e dos indicadores regionais de atividade do Banco Central, calculou crescimento médio anual de 3,2% para o Nordeste, próximo dos 3,3% estimados para o Brasil.

A estimativa apontou crescimento de 2,4% para a região em 2023 e de 3,9% em 2024. Como se trata de uma estimativa regional, e não de uma taxa oficial publicada diretamente nas Contas Regionais para os dois anos, essa distinção deve ser preservada.

Fontes: IBGE, Contas Regionais e FGV Ibre, Boletim Macro Regional Nordeste.

5. Indústria: queda em 2023 e recuperação em 2024

A produção industrial nordestina caiu 0,2% em 2022 e 1,3% em 2023, segundo a série de indicadores regionais do IBGE. Em 2024, houve crescimento de 2,5%.

A trajetória mostra dois anos de retração seguidos de recuperação. O resultado de 2024, porém, ficou abaixo da expansão de 3,1% registrada pela indústria brasileira no mesmo período.

Entre os estados nordestinos, os resultados foram diferentes. Em 2024, a produção industrial cresceu 6,9% no Ceará, 7,4% no Rio Grande do Norte, 4,6% em Pernambuco e 2,7% na Bahia.

Os números medem a variação física da produção industrial, e não o valor total da indústria no PIB. Também não isolam o efeito das políticas federais: demanda, juros, custos de produção e decisões empresariais influenciam o indicador.

Fonte: IBGE, Indicadores Conjunturais da Indústria.

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