Lula cobra desapropriação de ilha disputada com aliados de Bolsonaro
A deputada estadual Marina do MST (PT-RJ) anunciou que pretende organizar uma ocupação na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), onde fica um imóvel disputado pelo jogador Richarlison e pelo advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL).
A parlamentar quer pressionar o governo Lula para que a área tenha uma destinação social. A proposta é transformar o espaço em um centro de formação para jovens de comunidades tradicionais da Costa Verde, em possível parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).
“Não faz sentido um território com tanto potencial para servir à população ficar no centro de uma disputa de interesses privados enquanto os Povos Tradicionais carecem de espaços para fortalecer sua cultura e seus conhecimentos”, afirmou Marina ao Brasil de Fato.
A parceria com a UFF ainda é uma proposta e não há confirmação de adesão da universidade.
Entenda a disputa jurídica
O terreno onde está localizado o imóvel pertence à União, e o conflito envolve quem possui direitos válidos para ocupar e utilizar a área, não a propriedade privada de toda a ilha.
Richarlison afirma ter adquirido direitos sobre o imóvel em 2020 e investido cerca de R$ 10 milhões entre pagamentos, reformas e outros gastos. Willer Tomaz, por sua vez, sustenta que as pessoas que negociaram com o grupo do jogador não tinham legitimidade para fazê-lo e afirma que sua empresa adquiriu legalmente os direitos da titular que constava nos registros.
Um dos principais questionamentos de Richarlison envolve a Secretaria do Patrimônio da União (SPU). O jogador alega que o procedimento apresentado pelo grupo ligado a ele permaneceu meses sem conclusão, enquanto a empresa de Tomaz conseguiu regularizar sua ocupação em 2022.
A disputa também passou pela Justiça. Embora tenha havido decisões em diferentes momentos do conflito, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro posteriormente decidiu em favor da empresa ligada a Tomaz, entendimento mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2025.
Richarlison, porém, contesta os procedimentos que levaram ao encerramento da disputa e afirma não ter autorizado um acordo firmado por uma empresa que participou da negociação.
Tomaz nega qualquer irregularidade. Flávio Bolsonaro também nega ter participado da compra ou da transferência do imóvel e não é parte nos processos judiciais envolvendo a área.
Governo Lula apura o caso
Na sexta-feira (23), o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confirmou que a empresa WT Administração de Imóveis e Bens S.A., ligada a Tomaz, possui inscrição de ocupação desde 12 de julho de 2022.
Após receber uma representação sobre o caso, a pasta acionou suas instâncias de integridade e solicitou a colaboração da Controladoria-Geral da União (CGU) para apurar eventuais irregularidades administrativas relacionadas à concessão da ocupação.
A Secretaria do Patrimônio da União também pediu providências ao Ibama diante de denúncias ambientais e disponibilizou documentos e informações à Polícia Federal.
Lula afirmou publicamente que pediu à PF que investigasse o episódio.
A abertura das apurações não significa que alguma irregularidade tenha sido comprovada. Da mesma forma, a proposta apresentada por Marina do MST ainda depende de avaliação jurídica e administrativa do governo federal. Até o momento, não há decisão de retirar a inscrição de ocupação da empresa de Tomaz nem de destinar o imóvel ao projeto defendido pela deputada.
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