Flávio Bolsonaro “miliciano”: entenda a acusação de Lula contra o senador do PL
Durante o segundo turno da eleição presidencial de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a se referir ao senador Flávio Bolsonaro (PL) como “miliciano”, transformando o termo em um dos principais eixos de ataque da campanha. A ofensa foi usada em debates, caminhadas e lives, sempre acompanhada da cobrança para que Flávio abrisse seus sigilos bancário e fiscal.
A primeira manifestação pública ocorreu no debate da Band, em 18 de outubro de 2026. Quando Flávio pediu que Lula se aproximasse para conversar, o presidente recusou: “Não quero ficar perto de você. Da família Bolsonaro, eu quero distância. Quero distância. Com miliciano? Com miliciano, eu quero distância”.
O termo voltou a ser usado em atos de campanha. Em Belo Horizonte, Lula declarou: “O cara pode ter o direito de não votar no Lula, mas ele não pode votar num miliciano para a Presidência da República. Não é possível que alguém queira colocar o crime organizado dentro do Palácio do Planalto”. Na mesma ocasião, Lula puxou gritos de “Flávio, abre o sigilo”
A acusação de Lula não se limita ao uso eleitoral do termo. Ela remete ao histórico de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O senador homenageou com a Medalha Tiradentes o ex-capitão da PM Adriano da Nóbrega, posteriormente apontado como chefe do “Escritório do Crime”, grupo miliciano associado a assassinatos por encomenda. A mãe e a ex-mulher de Adriano também trabalharam no gabinete de Flávio na Alerj.
Além disso, Flávio votou contra a instalação da CPI das Milícias na Alerj, em 2008, e homenageou Ronald Paulo Alves Pereira, ex-major da PM posteriormente condenado por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco. Ele também defendeu a legalização das milícias na assembleia estadual. O senador nega qualquer relação com atividades milicianas e afirma que desconhecia as condutas criminosas atribuídas aos homenageados.
No debate da Band, Lula também usou a expressão “desfaçatez de miliciano” ao responder a Flávio sobre os R$ 134 milhões ligados ao filme “Dark Horse” . A estratégia de associar o adversário ao crime organizado foi mantida até a reta final da campanha, com Lula afirmando que uma vitória de Flávio colocaria “o crime organizado dentro do Palácio do Planalto”.
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