Lula rebate questão sobre dívida pública no JN: “Eu deixei esse país crescendo 7,5%”
A dívida pública brasileira foi um dos principais temas econômicos da entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (27). Questionado pela jornalista Renata Vasconcellos sobre o aumento do endividamento do país, que chegou a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), e sobre a necessidade de ajustes fiscais, o presidente respondeu defendendo que o crescimento econômico é o principal caminho para melhorar a situação das contas públicas.
Lula afirmou que a dívida não deve ser analisada isoladamente e disse que o período de baixo crescimento do país contribuiu para o aumento da relação entre dívida e PIB.
“Porque nós temos mais de 10 anos sem crescer”, afirmou.
Segundo o presidente, a retomada da economia muda a trajetória do endividamento. “Na medida que você começa a crescer a economia, o PIB começa a cair, a dívida começa a cair com relação à dívida”, declarou.
Durante a entrevista, Lula também recorreu ao desempenho econômico de seus primeiros governos para defender seu histórico na área fiscal.
“Você se esquece que eu deixei esse país crescendo 7,5%”, disse.
O presidente afirmou que, ao retornar ao Palácio do Planalto, encontrou uma economia em ritmo menor de crescimento.
“E quando eu voltei ele estava crescendo 1%”, declarou.
Lula cita superávit e responsabilidade fiscal
Ao responder às críticas sobre a condução das contas públicas, Lula afirmou que seus primeiros mandatos tiveram resultados positivos nas contas públicas e citou o superávit primário registrado naquele período.
“Você pode dizer presente nunca, o senhor foi o único presidente na história do Brasil que fez superávit de primário durante oito anos do seu primeiro mandato”, afirmou.
O presidente também disse que, entre os países do G20, foi o único a registrar esse resultado durante oito anos consecutivos.
“No país do G20, eu fui o único que fez superávit de primário durante oito anos”, declarou.
Lula afirmou ainda que o governo atual mantém compromisso com o equilíbrio das contas.
“Se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”, disse.
O presidente afirmou que parte da pressão sobre a dívida está relacionada ao custo dos juros e voltou a criticar a política monetária adotada durante parte de seu mandato.
Segundo Lula, o debate fiscal precisa considerar também o impacto das taxas de juros sobre o endividamento público.
Comparação internacional e cenário brasileiro
Durante a entrevista, Lula afirmou que uma dívida próxima de 80% do PIB não pode ser analisada sem comparação com outras economias. Ele citou países como Estados Unidos, Japão e Itália, que possuem níveis elevados de endividamento.
Na avaliação do presidente, a capacidade de crescimento econômico é um fator decisivo para a sustentabilidade da dívida.
Lula também afirmou que recebeu o governo, em janeiro de 2023, em uma situação fiscal difícil e citou valores que, segundo ele, precisaram ser pagos pela atual administração.
O presidente mencionou ainda o resultado fiscal previsto para o orçamento deste ano e afirmou que sua gestão reduziu o desequilíbrio encontrado no início do mandato.
Ajuste fiscal e próximo mandato
Em outro momento da entrevista, o jornalista César Tralli perguntou se Lula pretende reduzir gastos obrigatórios caso seja reeleito e quais medidas adotaria para enfrentar a trajetória da dívida.
O presidente não indicou cortes específicos e afirmou que sua prioridade será ampliar a economia.
“O meu estabelecimento é o seguinte, é fazer esse país crescer”, afirmou.
Lula disse que seu projeto para um novo mandato está ligado à ampliação de investimentos e citou obras e programas de infraestrutura.
Ao falar sobre o futuro da economia brasileira, defendeu uma agenda de desenvolvimento tecnológico.
“Eu quero fazer uma revolução tecnológica nesse país”, declarou.
Entre as áreas citadas pelo presidente estão inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e fortalecimento da capacidade industrial brasileira.
Lula afirmou que o Brasil precisa ampliar sua soberania sobre recursos estratégicos e desenvolver tecnologias próprias, incluindo inteligência artificial com linguagem portuguesa.
Comentários (0)