Gustavo Gayer dirigia bêbado em acidente que causou a morte de três pessoas; entenda a acusação

21/10/2026 - 13:18
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Gustavo Gayer dirigia bêbado em acidente que causou a morte de três pessoas; entenda a acusação
- Bruno Spada /Câmara dos Deputados

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) acumula uma série de controvérsias políticas e jurídicas. Ele se tornou nacionalmente conhecido depois de uma operação da Polícia Federal (PF) que investigou suspeitas de desvio de recursos públicos por meio da cota parlamentar e de processos judiciais motivados por declarações ofensivas contra adversários políticos.

Gayer também foi denunciado pelo Ministério Público em dois episódios em que dirigia embriagado, um deles relacionado a um acidente de trânsito que deixou mortos e feridos. O caso veio à tona quando ele se tornou réu em uma ação penal por injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em abril deste ano.

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) o condenou a indenizar a então ministra Gleisi Hoffmann e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) por declarações consideradas misóginas pela Justiça.

Em março de 2025, Gayer provocou uma reação do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), após publicar mensagens ofensivas contra Gleisi Hoffmann, então ministra da Secretaria de Relações Institucionais do governo Lula.

Ele publicou em seu perfil na rede social X que Lula teria “oferecido Gleisi Hoffmann como um cafetão oferece sua funcionária em uma negociação entre gangues”. O comentário se referia a uma fala anterior de Lula, que disse ter escolhido Gleisi para melhorar a articulação política com o Congresso por ser uma “mulher bonita”.

Mas os ataques de Gayer subiram o tom e prosseguiram: em outra postagem, ele questionou o então namorado da ministra, o deputado Lindbergh Farias, sobre a “oferta” mencionada, e ainda citou Alcolumbre e Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente da Câmara dos Deputados, insinuando uma relação de cunho sexual entre eles e a ministra.

Alcolumbre apresentou uma representação contra Gayer ao Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar. O caso também teve um desdobramento judicial, e o TJDFT condenou Gayer a pagar R$ 20 mil em indenização a Gleisi e Lindbergh por declarações consideradas misóginas.

O acidente e as denúncias por embriaguez ao volante

Com a repercussão nacional da controvérsia, outro caso do histórico criminal de Gayer veio à tona: um acidente de trânsito em que se envolveu em 2000 e que terminou com mortes e lesões graves entre as vítimas.

Na ocasião, Gayer dirigia um Chevrolet Corsa vermelho que colidiu com um ônibus da empresa Transbrasiliana em Rialma, no interior de Goiás. A denúncia do Ministério Público cita que o acidente aconteceu por volta das duas horas da manhã, na Avenida Pedro Felinto Rego, trecho urbano da rodovia GO-480.

Gayer foi denunciado por condução imprudente, que teria levado à morte imediata de duas pessoas que estavam no carro: Wilkens Souza Santos e Sander Ercione Morais. Ângela Graciela Leão Morais, que também estava no veículo no momento do acidente, faleceu depois por ocorrência dos ferimentos graves. A quarta vítima do grupo, Wladirene de Souza Araújo, sobreviveu à tragédia, mas sofreu lesões gravíssimas que a deixaram paraplégica. 

Segundo a investigação descrita na denúncia, Gayer e os demais ocupantes voltavam de uma festa em Santa Isabel, conhecida como Balança Santa Isabel, após terem consumido bebidas alcoólicas, e em alta velocidade. Eles estariam participando de um “racha”, corrida entre veículos em via pública que teria contribuído para que o acidente tomasse proporções ainda mais graves.

O caso foi encerrado em razão da prescrição, ou seja, por ter ultrapassado o prazo legal para que o Estado aplicasse uma sanção penal.

Em 2015, Gayer foi novamente flagrado dirigindo embriagado, o que levou a uma nova denúncia do Ministério Público. Ele conduzia um Toyota Corolla por Goiânia durante a madrugada, com sinais visíveis de embriaguez. A denúncia descreveu manobras perigosas e uma colisão com a proteção de um ponto de ônibus.

Operação Discalculia

Em 25 de outubro de 2024, Gayer também foi alvo da operação Discalculia, deflagrada pela Polícia Federal, que investigou uma associação criminosa suspeita de desviar recursos públicos por meio da cota parlamentar. A investigação apurava suspeitas de falsificação de documentos para criar uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que poderia receber recursos vinculados às despesas do mandato do deputado.

Após a representação da PF, a Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente à adoção de medidas de busca e apreensão contra o parlamentar, uma vez que a investigação sobre o suposto desvio de recursos envolvia duas empresas relacionadas ao deputado.

Foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão no total, mas o processo relacionado à investigação aparece no sistema do STF sob sigilo.

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