Zema radicaliza discurso e promete perdoar condenados por atos golpistas

24/08/2026 - 23:33
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Zema radicaliza discurso e promete perdoar condenados por atos golpistas
- Foto: Reprodução/Rede Globo

O candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) afirmou durante sabatina na TV Globo nesta segunda-feira (24) que considera que parte dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 não cometeu crimes.

Questionado sobre as punições aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-governador de Minas Gerais disse que, em sua avaliação, só deveria ser responsabilizado quem executou diretamente ações criminosas.

“Comete crime quem leva o crime adiante. Quem fez, pensou ou até idealizou, mas não levou, para mim, não cometeu crime”, declarou.

O candidato foi lembrado durante a entrevista de que o STF condenou cerca de 1.400 pessoas por crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa e dano ao patrimônio público.

Mesmo assim, Zema manteve a crítica às decisões da Corte e afirmou que concederia anistia aos condenados ou defenderia a criação de um novo tribunal para revisar os casos.

“Eu darei anistia ou, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial”, afirmou.

Aceno à base bolsonarista

A posição coloca Zema em sintonia com uma das principais reivindicações da base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que defende a anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos.

Ao mesmo tempo, o candidato tentou reforçar uma imagem de defensor das instituições democráticas. “Eu sou totalmente democrata. Fui eleito pela urna eletrônica, confio na urna eletrônica”, disse.

Vacinação e obrigatoriedade

Na área da saúde, Zema voltou a defender que o governo incentive a vacinação, mas afirmou ser contrário à obrigatoriedade.

O candidato disse que tomou as vacinas contra a Covid-19 e que acredita na ciência, mas argumentou que famílias não deveriam ser punidas por recusarem a imunização.

Dívida de Minas e corrupção

Durante a sabatina, Zema também foi questionado sobre a dívida pública de Minas Gerais, que aumentou durante sua gestão. Ele atribuiu o crescimento a problemas herdados de governos anteriores e afirmou que não realizou novos empréstimos durante seu mandato.

Sobre investigações envolvendo um esquema de corrupção em órgãos estaduais, o candidato afirmou que todas as denúncias devem ser apuradas e defendeu punição aos envolvidos.

Brumadinho

Zema citou ainda a tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro de 2019, quando era governador, e afirmou que seu governo adotou medidas para reduzir riscos relacionados às barragens.

O candidato, porém, não comentou durante a entrevista o desastre causado pelas fortes chuvas em Juiz de Fora neste ano, que deixou dezenas de mortos.

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