VÍDEO: Cotado para ministro da Saúde de Flávio Bolsonaro diz que usuário do SUS “penaliza a sociedade”

21/10/2026 - 16:45
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VÍDEO: Cotado para ministro da Saúde de Flávio Bolsonaro diz que usuário do SUS “penaliza a sociedade”
- Divulgação

Em gravação que começou a circular amplamente nas redes sociais e fóruns políticos, o médico oftalmologista Claudio Lottenberg, figura formalmente anunciada como o virtual titular do Ministério da Saúde em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), faz duras críticas aos alicerces do Sistema Único de Saúde, o SUS.

O registro foi captado durante uma palestra promovida em um evento de grande porte do setor de saúde. No centro de um palco e empunhando o microfone, Lottenberg dirigiu-se à plateia para colocar em dúvida o preceito básico consagrado na Carta Magna de 1988. Em sua manifestação, o médico defendeu que a garantia universal à saúde onera os cofres públicos e sugere que os cidadãos estariam sacrificando a coletividade ao exigir cuidados estatais sem arcar diretamente com os custos do tratamento ou por falta de autocuidado.

Declaração que acendeu o sinal de alerta

No trecho que provocou reações imediatas entre sanitaristas e especialistas em saúde coletiva, o indicado para a pasta ministerial questiona abertamente o conceito de dever do Estado:

“As pessoas têm um acesso à informação cada vez mais presente, e por ter acesso à informação, também elas querem mais e querem igual, e infelizmente num modelo de saúde extremamente desajustado, que parte de um princípio constitucional que coloca a saúde como um direito do cidadão e um dever do estado. Ou seja, discutir a saúde enquanto um direito ou discutir a saúde quanto um bem? Quer dizer, a saúde que todos nós temos que seja fornecida a alguém que paga por ela, e quem é esse alguém? Ou então nos darmos o luxo eventualmente de não cuidar da nossa saúde e penalizar a sociedade para que ela pague pelo nosso próprio, e pouco ou insignificante, autocuidado?”

Sequência de falas polêmicas e alinhamento privatista

A divulgação do vídeo não se trata de um fato isolado no histórico recente do médico. Uma matéria publicada pela Fórum esta semana já havia destacado posições altamente problemáticas expressas por Lottenberg em relação ao financiamento do sistema público. Em declarações anteriores, o cotado para o ministério manifestou-se contrariamente ao incremento de repasses orçamentários para a rede estatal de atendimento, preconizando que a retração do alcance do SUS seria um desdobramento natural e desejável no cenário em que se ampliasse a adesão aos convênios da medicina privada.

As manifestações do médico dialogam de maneira direta com a arquitetura econômica adotada pela candidatura de Flávio Bolsonaro. O programa do senador caracteriza-se por um viés superprivatista, assentado na premissa de desregulamentação, na redução da máquina estatal e na transferência progressiva de serviços essenciais para a iniciativa privada.

Entidades apontam risco iminente para a população

A perspectiva de converter o direito básico à saúde em um bem mercantilizável gerou pronta repulsa entre organizações do setor e movimentos sociais. Para analistas da área, relativizar a obrigatoriedade constitucional do Estado de assegurar atendimento médico gratuito e integral atinge diretamente a parcela mais vulnerável do eleitorado, que depende de forma exclusiva da estrutura pública para vacinação, tratamentos de alta complexidade, procedimentos cirúrgicos e distribuição de medicamentos.

Entidades defensoras do SUS sustentam que as formulações expostas por Lottenberg desconsideram os gargalos socioeconômicos do país e responsabilizam indevidamente o paciente pela necessidade de assistência médica. A tese de que a busca por atendimento no SUS constitui uma forma de “penalizar a sociedade” explicita, segundo críticos, uma tentativa de esvaziamento das obrigações republicanas em benefício da expansão das corporações de saúde suplementar.

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