Um dia depois de reunião com Vorcaro, Mendonça tomou decisão a favor dele em uma ação

15/09/2026 - 17:29
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Um dia depois de reunião com Vorcaro, Mendonça tomou decisão a favor dele em uma ação
- André Mendonça/Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

O encontro entre Daniel Vorcaro e André Mendonça, ocorrido no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal começou a julgar medidas que atingiam concessionárias de cemitérios de São Paulo, ganhou novo peso após a revelação de documentos que mostram interesses financeiros do grupo Master em uma das empresas alcançadas pelo processo.

A reunião ocorreu em 14 de março de 2025. Naquela data, o plenário virtual do STF começou a analisar medidas determinadas por Flávio Dino para limitar preços e ampliar a fiscalização dos serviços funerários privatizados da capital paulista.

No dia seguinte, Mendonça pediu vista e suspendeu o julgamento.

Quando devolveu o processo, em momento posterior, o ministro abriu divergência e votou contra a confirmação das cautelares adotadas por Dino.

Master tinha relação financeira com concessionária

Documentos obtidos pelo UOL mostram que o Banco Master havia concedido R$ 78 milhões em financiamentos relacionados à Cemitérios e Crematórios SP, concessionária ligada ao Grupo Maya.

Como garantia, três acionistas alienaram fiduciariamente ao Master 100% das ações da empresa.

A operação não tornava o banco necessariamente acionista formal da concessionária, mas dava ao credor poderes sobre determinadas decisões societárias enquanto a dívida permanecesse em aberto.

O contrato previa que, em deliberações capazes de afetar seus interesses, o credor poderia determinar por escrito como as acionistas deveriam votar. Algumas operações de compra e venda de ativos também dependiam de autorização.

Antes do encontro entre Vorcaro e Mendonça, esses créditos passaram por operações dentro de estruturas ligadas ao conglomerado e chegaram à Master Holding, nas Ilhas Cayman.

Dino quer esclarecer sequência

A proximidade entre o encontro e o julgamento entrou no radar de Flávio Dino.

Em despacho recente, o ministro destacou que Mendonça recebeu Vorcaro no mesmo dia em que o caso começou a ser analisado e determinou diligências para esclarecer as relações do conglomerado do ex-banqueiro com as concessionárias dos serviços funerários paulistanos.

Há ainda outra conexão no setor. Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, integrou o conselho de uma concessionária ligada ao grupo Cortel.

Os vínculos, porém, são distintos. No caso da Cemitérios e Crematórios SP, a relação documentada passa pelos financiamentos garantidos pelas ações. Já no caso da Cortel, o elo citado por Dino envolve a atuação de Zettel e fundos relacionados ao Master.

A sequência entre reunião, pedido de vista e voto posterior levantou questionamentos, mas os documentos divulgados até agora não provam que Mendonça tenha recebido vantagem ou combinado sua atuação com Vorcaro.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que as contratações foram regulares e realizadas dentro da legalidade. A SP Regula declarou que relações financeiras entre concessionárias, bancos ou fundos privados não configuram, por si só, irregularidade contratual.

Mendonça foi procurado pelo UOL, mas não havia respondido até a publicação da reportagem.

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