Quaest em MG aponta disputa presidencial acirrada e eleitorado ainda sem decisão

25/08/2026 - 18:07
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Quaest em MG aponta disputa presidencial acirrada e eleitorado ainda sem decisão
Lula e Flávio na Quaest - O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (Marcelo Camargo e Lula Marques/Agência Brasil)

A disputa pela Presidência da República em Minas Gerais aparece equilibrada, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25). Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão tecnicamente empatados nos dois cenários de primeiro turno testados pelo instituto.

No cenário sem Pablo Marçal (PRTB), Flávio Bolsonaro aparece com 31% das intenções de voto, enquanto Lula registra 30%. A diferença de um ponto percentual está dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos para mais ou para menos.

Na simulação com Pablo Marçal incluído, o equilíbrio permanece. Lula e Flávio aparecem empatados com 31% cada um, enquanto o candidato do PRTB registra 3%.

O resultado coloca Minas Gerais como um dos estados decisivos na disputa nacional. O eleitorado mineiro representa cerca de 10% dos eleitores brasileiros e historicamente tem peso estratégico nas eleições presidenciais.

Zema perde espaço e direita aparece fragmentada em Minas

O governador Romeu Zema (Novo) aparece distante dos líderes da disputa presidencial no estado. No cenário sem Marçal, ele registra 7% das intenções de voto. Com a entrada do candidato do PRTB na lista, o percentual cai para 6%.

Na pesquisa anterior da Quaest, Zema aparecia com 11%, indicando uma redução no percentual de intenção de voto. O levantamento atual também mostra a presença de outros nomes do campo da direita, como Renan Santos (3%), Ronaldo Caiado (3%) e Pablo Marçal (3%), no cenário em que o candidato do PRTB é incluído.

Votos da direita não migram automaticamente para Flávio Bolsonaro

A análise da Quaest chama atenção para um ponto importante da disputa mineira. Apesar de Flávio Bolsonaro concentrar grande parte do eleitorado bolsonarista, a transferência dos votos dos demais candidatos de direita para o senador do PL em um eventual segundo turno não é automática.

O levantamento mostra que 88% dos eleitores que se identificam como bolsonaristas declaram voto em Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores que se identificam com a direita, porém, esse índice cai para 58%.

O dado indica que existe uma parcela do eleitorado conservador ainda em disputa. Segundo a análise apresentada pelo instituto, nomes como Zema, Marçal, Renan Santos e Caiado alcançam eleitores que não necessariamente seguem uma lógica ideológica rígida.

A avaliação é que o eleitor mineiro tende a apresentar maior desconfiança e pode distribuir seu voto entre diferentes candidatos, sem uma transferência automática de apoio em um eventual segundo turno.

O desafio de Flávio Bolsonaro, portanto, é transformar a identificação com o campo conservador em apoio pessoal. A análise aponta que o senador ainda precisa ampliar o reconhecimento de sua própria imagem para além da associação com Jair Bolsonaro.

Do outro lado, Lula mantém forte concentração entre seus grupos tradicionais de apoio. O presidente aparece com 88% entre eleitores que se declaram lulistas e 77% entre os que se identificam com a esquerda.

Cenário ainda tem eleitorado em aberto

Apesar da disputa equilibrada entre Lula e Flávio, a pesquisa mostra um volume significativo de eleitores que ainda não definiram sua escolha. 17% dos entrevistados estão indecisos no cenário sem Marçal, enquanto o índice é de 16% na simulação com o candidato do PRTB.

Outros 8% afirmam votar branco, nulo ou não pretendem votar no primeiro cenário, e o percentual fica em 7% com a presença de Marçal.

A pesquisa Quaest foi encomendada pela Globo e ouviu 1.506 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-09818/2026.

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