Mendonça homologa delação de operador que revelou repasses ao Dark Horse
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, operador do mercado financeiro ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O acordo foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em 8 de agosto e está sob sigilo.
Em depoimento à PGR, Freixo Junior afirmou ter sido responsável por gerar dinheiro vivo para a equipe de Vorcaro e relatou entregas de valores em espécie a terceiros indicados pelo banqueiro.
Além disso, “Mineiro” confirmou ter realizado sete transferências, que somaram US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo foi utilizado no financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, e é administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração próximo de Eduardo Bolsonaro.
Mendonça homologa delação de “Mineiro”
André Mendonça homologou nesta quarta-feira o acordo de colaboração premiada de Antonio Carlos Freixo Junior.
Na terça-feira (8), Freixo Junior e sua defesa participaram de uma audiência com um juiz auxiliar do ministro para confirmar aspectos do acordo, entre eles a voluntariedade da colaboração.
A etapa é prevista em lei e antecede a homologação do acordo pelo relator.
Com a decisão de Mendonça, as informações apresentadas por “Mineiro” poderão ser utilizadas pelas autoridades nas investigações, respeitados os limites legais da colaboração e a necessidade de comprovação dos fatos relatados.
Dark Horse: delator confirma 7 pagamentos a fundo de advogado de Eduardo Bolsonaro a pedido de Vorcaro
O operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, afirmou em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) que realizou, no ano passado, sete transferências, que somam US$ 12,3 milhões (de R$ 69 milhões) ao fundo Havengate, de Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro(PL-SP).
A informação foi revelada pelos jornalistas Malu Gaspar e Rafael Moraes Moura, do jornal O Globo, nesta terça-feira (8). Segundo “Mineiro”, as transferências foram feitas a pedido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por suspeita de fraudes milionárias. Como mostraram investigações anteriores, Vorcaro repassou pelo menos R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse” a pedido do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
O fundo Havengate foi usado no financiamento do filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe de Estado. Segundo a apuração do O Globo, a estreia do longa está prevista para depois das eleições.
Segundo Mineiro, além das transferências bancárias, também foram feitas entregas em dinheiro vivo a emissários indicados por Vorcaro, inclusive em malas, que foram filmadas, de acordo com informação divulgada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles.
As investigações em torno do filme Dark Horse feitas pela Polícia Federal e pela PGR apuram se as transferências ao fundo foram destinadas exclusivamente para a produção do longa, ou se também serviram de financiamento para Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Desde fevereiro de 2025, o ex-deputado está morando no Texas após fugir para o país norte-americano com medo das investigações que o acusam de articular as sanções aplicadas pelo governo de Donald Trump contra integrantes do governo federal e do Supremo.
Flávio Bolsonaro confirma que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro
Flávio Bolsonaro, confirmou, por meio de uma nota, que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No comunicado, Flávio Bolsonaro nega irregularidades nas suas conversas com Daniel Vorcaro e afirma que estava “procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.
Confira abaixo a íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”
https://x.com/FlavioBolsonaro/status/2054668391965659308
Flávio Bolsonaro negociou R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro, diz Intercept
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, teria tratado diretamente com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre um aporte de US$ 24 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões à época, para financiar a produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
As informações foram reveladas pelo Intercept Brasil, que afirma ter tido acesso a mensagens, áudios, documentos e comprovantes bancários relacionados às tratativas.
De acordo com a reportagem, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação dos períodos em que os valores teriam sido transferidos, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, por meio de seis operações. O dinheiro teria sido enviado ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos, e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.
Entre os materiais obtidos pelo Intercept está uma mensagem enviada por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão do banqueiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador.
https://x.com/TheInterceptBr/status/2054619073963503870
Vorcaro foi preso no dia seguinte, sob acusação de comandar um esquema de fraude que teria causado um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito. Já em 18 de novembro, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central.
Ainda segundo a reportagem, as negociações também teriam envolvido Eduardo Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e intermediários como o empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.
Flávio nega financiamento e chama informação de mentira
Procurado pessoalmente pelo Intercept, Flávio Bolsonaro negou que Daniel Vorcaro tenha financiado o filme sobre Jair Bolsonaro.
“De onde você tirou essa informação? É mentira”, respondeu o senador.
Na sequência, Flávio riu e deixou o local onde concedia entrevista à imprensa, nas proximidades do Supremo Tribunal Federal.
O senador já havia negado qualquer relação entre sua família, a extrema direita e o Banco Master. Ao comentar anteriormente uma doação de R$ 3 milhões feita pelo cunhado de Vorcaro à campanha presidencial de Jair Bolsonaro, Flávio afirmou à CNN que a contribuição ocorreu “sem nenhuma vinculação, sem nenhuma contrapartida, sem nenhum contato pessoal, inclusive”.
Na ocasião, ele também declarou: “Essa conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita”.
Áudio cita risco de “calote” em nomes do cinema americano
Segundo o Intercept, em setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou um áudio a Daniel Vorcaro cobrando o restante do valor combinado e alertando para o risco de a produção ser interrompida.
Na mensagem, o senador citou o ator Jim Caviezel, escalado para interpretar Jair Bolsonaro, e o diretor Cyrus Nowrasteh.
“Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio.
Em outro trecho do áudio, o senador reforçou a preocupação com a reta final da produção:
“Agora que é a reta final que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo”.
Pagamentos teriam passado por empresa ligada à operação
Conforme os documentos analisados pelo Intercept, parte dos recursos teria sido transferida pela Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP.
Um dos comprovantes citados pela reportagem, datado de 14 de fevereiro de 2025, mostra uma ordem de pagamento internacional no valor de US$ 2 milhões.
O fundo, segundo documentos societários mencionados pelo portal, foi registrado no Texas e tem como agente legal o escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. O corretor de imóveis Altieris Santana também aparece vinculado ao Havengate Development Fund LP.
A íntegra da reportagem do Intercept pode ser conferida aqui.
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