Ibaneis exigiu R$ 400 milhões para viabilizar fusão BRB-Master, diz Vorcaro

21/10/2026 - 09:54
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Ibaneis exigiu R$ 400 milhões para viabilizar fusão BRB-Master, diz Vorcaro
O ex-governador do DF Ibaneis Rocha - O ex-governador do DF Ibaneis Rocha/Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) e obtidas pelo UOL indicam que o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) acompanhou as negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Os diálogos mostram sua atuação nas tratativas para a aquisição do banco privado, no aumento de capital do BRB e na compra de carteiras de crédito.

Na proposta de delação premiada, Vorcaro acusa Ibaneis de exigir R$ 400 milhões em propina para viabilizar o negócio. Segundo o relato, metade seria paga em dinheiro vivo e a outra metade por meio de um contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo governador. O banqueiro também afirma que Ibaneis ficaria com 5% do novo banco por meio de uma empresa de fachada. As acusações fazem parte de uma proposta de colaboração, cuja validade e cujas alegações precisam ser apuradas.

Adiantamento em espécie

Segundo Vorcaro, cerca de R$ 80 milhões teriam sido adiantados em espécie e entregues pelo motorista do banqueiro a Leonardo Valverde, apontado como braço direito de Ibaneis. Mensagens indicam que o motorista fez ao menos dez entregas de encomendas a uma pessoa identificada como “Léo” ou “Dr. Léo”, entre novembro de 2024 e agosto de 2025. A PF suspeita que se tratava de Valverde.

O contato entre Ibaneis e Vorcaro começou em setembro de 2024, em um almoço na casa do banqueiro, em Brasília. Na sequência, o governador participou de reuniões com o empresário e executivos do BRB. Em outubro, autorizou um aumento de capital do banco público, inicialmente de R$ 500 milhões e depois ampliado para R$ 750 milhões.

O BRB também passou a comprar carteiras de crédito do Master, em operações que somaram R$ 9,5 bilhões até fevereiro de 2025. Em meio à crise de liquidez do banco privado, as negociações evoluíram para uma proposta de aquisição. Em março, o BRB anunciou a compra de 58% do Master, operação que acabou vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.

As mensagens também revelam problemas nas carteiras de crédito adquiridas. Parte dos empréstimos vendidos por meio da promotora Tirreno não teria lastro em operações reais, segundo a investigação. O BRB tentou substituir os ativos problemáticos por outros do Master, mas ainda havia R$ 2,1 bilhões pendentes em setembro de 2025.

Ibaneis não comenta

A defesa de Ibaneis afirmou que não comentaria uma “delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova”. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, declarou que as mensagens confirmariam a versão de que o ex-governador dava liberdade ao presidente do BRB para tomar decisões e não participava da gestão do banco. Leonardo Valverde não respondeu aos contatos da reportagem.

Em novembro de 2025, o Banco Central liquidou o Banco Master, e Vorcaro foi preso. A investigação também apura possíveis vantagens indevidas relacionadas a executivos do BRB, incluindo a compra de seis apartamentos de alto padrão avaliados em R$ 146,6 milhões pelo Master, que, segundo a PF, poderiam ter sido usados como forma de propina ao então presidente do banco público, Paulo Henrique Costa.

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