Gilmar Mendes volta a chamar Mendonça de “pixuleco eleitoral” e sai em defesa de Gonet

17/09/2026 - 08:29
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Gilmar Mendes volta a chamar Mendonça de “pixuleco eleitoral” e sai em defesa de Gonet
- Gilmar Mendes/ Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta quinta-feira (17), a divulgação de conversas envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e acusou o colega André Mendonça, relator do caso, de utilizar o episódio para obter ganhos políticos. Em publicação nas redes sociais, Mendes afirmou que a reputação de Gonet foi injustamente atingida pelo levantamento do sigilo de mensagens que, segundo ele, não revelavam qualquer prática ilícita.

A manifestação ocorreu após o julgamento realizado na terça-feira, quando, de acordo com Mendes, o próprio relator reconheceu em plenário a lisura da conduta de Gonet e admitiu que não havia elementos contra o procurador-geral.

“Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele”, escreveu o ministro.

Mendes questionou a decisão de tornar públicas as conversas e afirmou que uma correção posterior não seria suficiente para reparar o dano causado à imagem do procurador-geral.

“Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário.”

Crítica à atuação do relator

Na sequência, o ministro classificou como “lamentável” a cena ocorrida durante a sessão do STF. Segundo ele, o reconhecimento da inocência de Gonet pelo relator evidenciaria que a exposição pública poderia ter sido evitada.

“Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, afirmou.

Mendes também criticou a publicação de um vídeo nas redes sociais em que o relator agradecia o apoio popular recebido durante o episódio. Para o ministro, a atitude indicaria uma tentativa de transformar o caso em instrumento de disputa política.

“Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, escreveu.

Comparação com a Lava Jato

O ministro comparou o episódio às práticas adotadas durante a Operação Lava Jato pelos então procuradores Deltan Dallagnol e pelo ex-juiz Sergio Moro. Mendes afirmou que vazamentos seletivos teriam sido utilizados para criar repercussões públicas antes da conclusão dos processos judiciais.

“Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método”, declarou.

Segundo ele, a exposição antecipada de informações poderia comprometer o direito de defesa e a presunção de inocência. Mendes também questionou o momento do levantamento do sigilo, que teria ocorrido às vésperas do 7 de Setembro.

“Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método.”

Ao encerrar a publicação, o ministro defendeu o respeito ao devido processo legal desde o início das investigações e manifestou solidariedade a Gonet.

“Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato. A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.”

https://x.com/gilmarmendes/status/2100531282996298055?s=48

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