Escritório de Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito da PF por movimentações financeiras

20/10/2026 - 17:19
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Escritório de Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito da PF por movimentações financeiras
- Flávio Bolsonaro - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O escritório de advocacia do candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais, entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que ele exercia o mandato de senador.

A apuração é do UOL, que analisou 62 comprovantes emitidos pela empresa. A Polícia Federal (PF) abriu inquérito para investigar as transações, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF), após indícios de que o senador compartilhava uma conta bancária com o advogado Willer Tomaz, o que ambos negam.

O escritório funciona na própria casa do senador, uma mansão no Lago Sul, em Brasília, e não tem outros funcionários além do próprio Flávio como titular.

A PF abriu inquérito, também segundo reportagem, para apurar as movimentações financeiras do escritório. O caso corre no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Detalhes do escritório e clientes

Aberto em 16 de abril de 2021, o escritório tem como administradora Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso em dezembro de 2025 por suspeita de envolvimento nas fraudes no INSS. Flávio Bolsonaro é o único sócio e a empresa não registra outros funcionários.

A maioria das 62 notas fiscais analisadas descreve os serviços prestados apenas como “assessoria jurídica”, sem identificar processos, clientes específicos ou o escopo do trabalho.

A reportagem buscou nos sistemas de tribunais estaduais, federais e instâncias superiores e localizou um único processo em que Flávio atuou para os clientes descritos nas notas.

O maior cliente do escritório é Nilo & Almeida Advogados Associados, que emitiu duas notas de R$ 2 milhões cada em 2025, respondendo por 29% do faturamento documentado. Um dos sócios do escritório, Edvaldo Nilo de Almeida, foi nomeado por Jair Bolsonaro para a Comissão de Ética Pública da Presidência em 2022.

Motivação para novo inquérito

A conexão que motivou o novo inquérito da PF é direta: a conta do Santander indicada em uma das notas fiscais do escritório de Flávio é a mesma que, segundo a corporação, o senador dividia com Willer Tomaz.

Foi essa suspeita de vínculo financeiro entre os dois que levou a PF a pedir a abertura de um novo inquérito. Flávio já era alvo de apuração no caso do financiamento ao filme Dark Horse.

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