Dino determina e polícia compartilha com PF dados do financiamento de “Dark Horse”

26/08/2026 - 17:07
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Dino determina e polícia compartilha com PF dados do financiamento de “Dark Horse”
- Ministro Flávio Dino, do Supremo - Foto: Rosinei Coutinho/STF

A Polícia Civil de São Paulo encaminhou, nesta quarta-feira (26), à Polícia Federal (PF), em Brasília, documentos e provas brutas da Operação Wi-Fi, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação, realizada em junho, mirou o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada a Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL).

O material compartilhado, íntegra do inquérito estadual, com documentos, depoimentos e relatórios de investigação, além de dados já extraídos dos celulares dos investigados, servirá a um inquérito federal que apura se emendas parlamentares foram usadas para financiar a produção cinematográfica.

Parte dos aparelhos celulares apreendidos ainda estava no Instituto de Criminalística e não havia passado pelo processo de extração, seja por estarem na fila de espera ou por limitações técnicas dos sistemas paulistas para quebrar a criptografia.

Nesses casos, a Polícia Civil enviou os próprios celulares à PF. Se a Polícia Federal conseguir acessar o conteúdo, o material será posteriormente repassado à corporação paulista.

Foco da investigação federal

A Operação Wi-Fi, deflagrada em junho, teve como alvo principal o Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade pertencente a Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP, responsável pelo filme Dark Horse.

No plano estadual, a Polícia Civil de SP apura suspeitas de fraude em um contrato de R$ 108 milhões anuais do ICB com a prefeitura de São Paulo.

No plano federal, o inquérito aberto no STF investiga se emendas parlamentares podem ter abastecido a produção do filme.

Ao solicitar o compartilhamento dos dados, a PF argumentou ao Supremo que o ICB está no centro dessa apuração e que o material recolhido pela polícia paulista em endereços da ONG, da empresária e de outras empresas pode aprofundar e acelerar a investigação.

Os agentes federais pretendem analisar dados de computadores, celulares, documentos contábeis, notas fiscais, comprovantes de pagamentos e registros financeiros apreendidos na operação.

Próximos passos e implicações

O ministro Flávio Dino considerou o pedido da PF pertinente e alinhado ao entendimento do STF para esse tipo de compartilhamento de dados entre forças policiais.

O inquérito federal foi aberto depois que Dino solicitou apuração da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre emendas dos deputados Mário Frias (PL-SP), Marcos Pollon (PL-MS) e Bia Kicis (PL-DF) destinadas ao ICB e à Academia Nacional de Cultura (ANC), entidades supostamente coordenadas por Karina Ferreira da Gama a partir de um mesmo núcleo de gestão.

A PF segue detalhando as relações empresariais de Karina e de suas empresas e analisa eventuais doações eleitorais relacionadas aos investigados. O cruzamento entre o material da operação paulista e o inquérito federal pode revelar novas conexões entre o financiamento do filme, o fluxo de recursos públicos via emendas e a rede política em torno dos parlamentares citados.

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