Crise avança: decisão de Dino coloca Mendonça como “suspeito” por se reunir com Vorcaro

09/09/2026 - 10:53
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Crise avança: decisão de Dino coloca Mendonça como “suspeito” por se reunir com Vorcaro
- Alexandre de Moraes e André Mendonça na sessão de posse de Flávio Dino (Fellipe Sampaio/STF)

O ministro Flávio Dino acaba de reconduzir Andrei Rodrigues à direção da Polícia Federal, revertendo a decisão tomada nessa terça-feira (8) por André Mendonça.

É uma decisão importante porque a intervenção de Mendonça na direção da PF era inconstitucional. Afinal, estamos falando de uma atribuição que, em condições normais, está no âmbito do Executivo: escolher quem dirige a Polícia Federal.

Mas o que mais chama a atenção na decisão de Dino é outro ponto.

O ministro menciona que André Mendonça se reuniu com Daniel Vorcaro na sede do Instituto Iter, instituição criada pelo ministro do Supremo.

E aí é preciso lembrar de uma investigação que a Fórum publicou.

Nós mostramos que o Instituto Iter, ligado a Mendonça, teve contratos com entes públicos da ordem de R$ 10,8 milhões sem licitação.

E foi justamente na sede desse instituto que Mendonça se reuniu com Vorcaro, banqueiro ligado ao Banco Master e personagem central das investigações que envolvem a instituição financeira.

Isso abre uma pergunta que precisa ser respondida.

O jornalista Luis Nassif já havia levantado, em uma reportagem, a questão sobre os contratos privados de André Mendonça. Os contratos públicos foram objeto da apuração da Fórum e estão documentados.

Mas e os contratos privados?

O Instituto Iter teve algum contrato com o Banco Master?

Teve algum contrato com empresas relacionadas a Daniel Vorcaro?

Essa é uma pergunta objetiva e importante.

E ela ganha ainda mais peso diante do contexto atual.

A decisão de ontem envolvendo a Polícia Federal não pode ser analisada isoladamente das investigações relacionadas ao Banco Master.

Mendonça está envolvido, por sua atuação no Supremo, em decisões relacionadas a investigações que alcançam o caso. E há questões sobre as quais ainda não existem respostas públicas suficientes.

Uma delas diz respeito à investigação conhecida como Dark Horse e à forma como Mendonça conduz o caso. Por que os sigilos de Mário Frias e Flávio Bolsonaro não foram quebrados?

É por isso que a menção de Dino à reunião entre Mendonça e Vorcaro não é um detalhe menor.

Não estou dizendo aqui que uma reunião, por si só, prove qualquer irregularidade.

Não prova.

Mas, diante do conjunto de fatos, é uma informação que precisa ser esclarecida. Especialmente quando estamos falando de um ministro do Supremo Tribunal Federal e de um banqueiro que está no centro de uma investigação de enormes proporções.

A recondução de Andrei Rodrigues por Flávio Dino também recoloca outra questão importante no centro do debate: até onde pode ir a atuação individual de um ministro quando uma decisão interfere diretamente no funcionamento de uma instituição que está sob comando do Executivo?

Dino entendeu que era necessário reverter a decisão.

E agora a bola está com o presidente do STF, Edson Fachin.

Logo ele que era tido como “nosso” por Dallagnol.

Aha, uhu…

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