Brasil relatou à Europa suspeitas de interferência eleitoral dos EUA e da Rússia

30/09/2026 - 18:42
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Brasil relatou à Europa suspeitas de interferência eleitoral dos EUA e da Rússia
- Fachada da Abin - Agência Brasileira de Inteligência/Foto: Reprodução

Delegações da França e da Alemanha receberam de autoridades brasileiras informações sobre riscos de interferência estrangeira no processo eleitoral de 2026, durante uma agenda reservada em Brasília.

Segundo documentos analisados pela Reuters, integrantes da Abin relataram suspeitas de ações atribuídas aos Estados Unidos e à Rússia.

A preocupação com a influência de atores estrangeiros sobre disputas eleitorais aproximou órgãos brasileiros e europeus em uma reunião realizada em setembro. O encontro ocorreu enquanto países da União Europeia ampliam o monitoramento de campanhas de desinformação e de possíveis operações digitais contra processos democráticos.

A delegação europeia esteve no Brasil entre 9 e 11 de setembro para discutir temas ligados à segurança das plataformas digitais e à implementação da Lei de Serviços Digitais da União Europeia, norma que estabelece regras para empresas de tecnologia no combate a conteúdos ilegais e prejudiciais.

Durante a passagem por Brasília, representantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apresentaram aos europeus informações sobre uma suposta atuação externa no ambiente eleitoral brasileiro. De acordo com um relatório elaborado por um dos participantes, agentes brasileiros afirmaram que haveria interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia.

O documento registra que, no caso estadunidense, as ações mencionadas envolveriam desde disputas judiciais até formas de interferência consideradas públicas. Em relação à Rússia, os representantes brasileiros não apresentaram detalhes sobre quais iniciativas estariam sob suspeita.

O alerta foi compartilhado em um momento de crescente debate internacional sobre o papel de governos estrangeiros no apoio a grupos políticos em outros países. Nos Estados Unidos, o governo Donald Trump passou a adotar uma postura mais explícita de aproximação com lideranças de direita fora do país.

Na Europa, autoridades da França e da Alemanha acompanham o tema de perto. O governo francês tem manifestado preocupação com possíveis tentativas de influência externa antes da eleição presidencial de 2027. Já na Alemanha, representantes políticos criticaram manifestações de apoio de setores ligados ao governo Trump ao partido Alternativa para a Alemanha (AfD).

Além das discussões sobre influência estrangeira, autoridades brasileiras apresentaram aos europeus um panorama sobre ataques digitais. Um integrante da área de segurança cibernética ouvido pela Reuters afirmou que o volume de ataques contra alvos brasileiros teria quase dobrado em relação a 2025.

Segundo o relato, houve aumento de invasões e tentativas de phishing contra estruturas ligadas à Presidência da República, em um cenário que o funcionário associou ao período eleitoral.

A França participou da reunião por meio da Viginum, órgão voltado ao combate à manipulação estrangeira de informações, e da Arcom, reguladora de mídia e comunicações. A Alemanha enviou representantes da Agência Federal de Redes. Os órgãos europeus confirmaram a participação na visita.

O governo alemão afirmou ainda que uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições alemãs não foi discutida durante o encontro. O Departamento de Estado dos EUA, a embaixada da Rússia no Brasil e a Abin não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

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